Os 62 municípios do Amazonas devem sair da situação de emergência ainda em abril deste ano. O Decreto Estadual de nº 48.360, de outubro de 2023, determinou o período de 180 dias por conta da severa estiagem que atingiu o estado durante a vazante dos rios. A Defesa Civil do Amazonas tem se preparado com ações para uma nova estiagem neste ano.

Reuniões com diversos setores, entidades e órgãos para apresentar uma preparação e minimização dos impactos estão sendo realizadas desde janeiro pela Defesa Civil. “O objetivo dessas reuniões é fornecer informações e coordenar ações de prevenção, preparação e mitigação, visando garantir que os serviços essenciais não sejam interrompidos”, disse o órgão por meio de nota.

O relatório de prognóstico climático exposto Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa), ligado à Defesa Civil, aponta que os eventos extremos como a cheia de 2022 e a estiagem de 2023 estão relacionados com as mudanças climáticas que estão ocorrendo em todo o mundo. Além disso, há, ainda, o acumulado de chuvas com desastres de alagamento de vias públicas, inundação de igarapés, afluentes e córregos, enxurradas e deslizamento de encostas.

A análise meteorológica prevê chuvas abaixo da climatologia sobre todas as calhas situadas do estado, com exceção de uma pequena faixa na região do Alto Madeira e temperaturas acima da normalidade em todo o Amazonas, conforme o documento.

Segundo o secretário adjunto da Defesa Civil do Amazonas, Cel. Clovis Araújo, o período da vazante para este ano é preocupante, já que acarreta em comunidades isoladas, com falta de abastecimento de água, alimentação, além de problemas em relação à assistência médica e hospitalar.

“Teremos uma enchente com menos impacto. Isso nos preocupa como Defesa Civil, porque temos menos volume de água para a navegação fluvial, para abastecimento e transporte nos municípios do interior. Se não houver uma mudança quanto essas quantidades e precipitações de chuva, principalmente nas cabeceiras, teremos uma situação parecida ou mais agravada ainda do que tivemos no ano passado”, explicou.

Nível dos rios
A recuperação do nível do rio também é colocada como alarmante no relatório de prognóstico, já que pode levar a problemas de navegabilidade no segundo semestre.

“Os níveis atuais estão fora da curva de permanência para o atual período do ano, mesmo estando em processo de enchente, em se pensando na estação seca, onde já é natural que os volumes de precipitação sofram uma redução significativa em nosso Estado e nas regiões das cabeceiras dos rios, tendo como principal influência o baixo nível do rio nos meses de setembro, outubro e novembro, e como para as calhas citadas não se observa uma boa recuperação da cota no atual período”, afirma o chefe do Cemoa, 2º Tenente BM, Charlis da Rocha.

De acordo com o chefe do Cemoa, as demais calhas mesmo com cotas dentro do que se considera normal para o período tem apresentado uma recuperação discreta.

A Defesa Civil afirmou que “segue monitorando atentamente a situação e tomando as medidas necessárias para garantir a segurança e o apoio à população do estado”.

Eleições no período de seca
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) foi um dos órgãos que se reuniu com a Defesa Civil para tratar sobre o prognóstico climático para este ano e os impactos de uma nova estiagem.

Segundo o TRE-AM, a coordenadoria de logística está fazendo um planejamento com as mudanças necessárias para  lidar com as limitações de transportes que a estiagem vai impor. Ainda há detalhes que as zonas eleitorais estão fornecendo, mas logo será definido um plano de contingência.

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