O tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (3/5). Com acesso livre ao Planalto nos últimos quatro anos, Mauro Cid ou “coronel Cid” era o oficial mais próximo de Bolsonaro e acompanhava o presidente o tempo todo.
Cid está envolvido em polêmicas com o youtuber Allan dos Santos, com o caso das joias e até mesmo suposto pivô da demissão de um general do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pai do coronel Cid, o general Mauro Cesar Lourena Cid, foi amigo do ex-presidente na Academia das Agulhas Negras e a relação se estendeu para outros membros da família. Durante o governo Bolsonaro, o coronel teve livre acesso ao gabinete presidencial, ao Palácio da Alvorada e até mesmo ao quarto ocupado pelo ex-chefe do Executivo nos hospitais, após cirurgias.
A atuação do discreto assessor presidencial ganhou os holofotes, porém, depois que vieram à tona suas conversas no WhatsApp com o blogueiro Allan dos Santos, no inquérito aberto para investigar a organização e o financiamento de atos antidemocráticos. Em depoimento prestado, Mauro Cid declarou à PF que não se recordava de “ter estabelecido” conversas com o blogueiro sobre a “necessidade de intervenção das Forças Armadas” e negou apoiar a ideia.
Joias
Cid também esteve envolvido no caso das joias avaliadas em R$ 16,5 milhões que Bolsonaro trouxe ilegalmente para o Brasil. O ajudante de ordens e “faz-tudo” do ex-presidente foi o primeiro a ser escalado para resgatar pessoalmente joias e relógio de diamantes. Um ofício obtido pelo Estadão revelou que Cid escalou ele mesmo para a missão. O documento enviado à Receita informando que um auxiliar do presidente iria pegar as joias era assinado por Cid. O coronel era o oficial mais próximo de Bolsonaro e acompanhava o presidente o tempo todo.
O tenente-coronel do Exército também foi quem pediu, com “urgência”, avião da FAB e diárias para a ida do sargento Jairo Moreira da Silva a São Paulo, três dias antes do fim do mandato de Bolsonaro, para buscar as joias apreendidas pela Receita Federal no aeroporto de Guarulhos. Esse fato foi considerado como uma espécie de “impressão digital” de Bolsonaro na tentativa de liberar as peças.
Pivô da demissão
No governo Lula, Cid também foi considerado o pivô da demissão do comandante do Exército, general Júlio César de Arruda. Arruda mostrou resistência para exonerar o tenente-coronel Cid, nomeado para chefiar o 1.º Batalhão de Ações de Comando do Exército em Goiânia. Então, Arruda foi retirado do cargo após 23 dias de trabalho; o Exército não informou o motivo da sua exoneração.
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