No Amazonas, estiagem impacta produção agrícola em áreas de várzea

O prolongado período de estiagem, que assola o Amazonas desde meados de agosto, está exercendo efeitos substanciais sobre a produção agrícola no interior do estado. A escassez de água e os desafios relacionados ao transporte da safra têm se estabelecido como as principais ramificações de um cenário que afeta, até o momento, cerca de 74 mil famílias.

No mês de setembro, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou uma preocupante combinação de fatores climáticos na região Norte. A escassez de chuvas, o aumento das temperaturas e a redução da umidade do solo afetaram gravemente 79 municípios dedicados à agricultura e pecuária. Em um alerta emitido no início de outubro pelo órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, enfatizou-se que o período de seca no Amazonas deve se estender pelo menos até dezembro, quando se espera que o fenômeno El Niño atinja seu auge.

Neste contexto complexo, os preços de diversos alimentos, incluindo frutas e hortaliças, dispararam, aumentando cerca de 30%. O abastecimento de produtos que anteriormente vinham das margens dos rios Negro e Solimões, agora, depende de transportes por caminhões na precária rodovia BR-174 ou por meio de aviões vindos de outros estados.

Na zona rural do estado do Amazonas, um desafio logístico crítico se apresenta em meio à produção agrícola situada em áreas de várzea, devido à vazante.

“Os produtores de várzea enfrentam dificuldades para realizar o plantio, por consequência da falta de condições adequadas de escoamento e da escassez de água. Uma medida adotada para enfrentar essa situação é a atração de produtores de áreas de terra firme para suprir a demanda”, destacou o coordenador da Feira de Produtores Regionais ‘Agromix’, Orisvaldo Cruz Neves.

Orisvaldo também ressaltou que os preços dos produtos estão oscilando consideravelmente, especialmente aqueles que dependem da produção em áreas de várzea, como alface, cebolinha e cheiro-verde.

“Para lidar com essa situação, já estamos importando produtos de outras regiões do Brasil, como Recife, Bahia e Maranhão, para atender à crescente demanda no Amazonas, uma vez que a capacidade de produção local foi severamente afetada em razão da seca”, enfatizou Orisvaldo.

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