Dois militares da Aeronáutica, de 27 e 28 anos, foram presos em Manaus pelos crimes de estelionato eletrônico e lavagem de capitais, após investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), com apoio do Departamento de Inteligência e Polícia Judiciária (DIPJ). Eles são acusados de aplicar um golpe milionário em uma instituição financeira, com prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões.

Segundo o delegado Ivo Martins, titular do 19º DIP, os militares realizavam centenas de compras em uma companhia aérea usando cartões de crédito com alto limite, com o objetivo de acumular 1% de cashback e pontos. Em seguida, cancelavam as transações, mas mantinham os valores em crédito, convertendo em dinheiro.

“Foi um estelionato eletrônico praticado no estado de São Paulo pelas redes sociais. Um cidadão que serviu aqui foi preso em São Paulo. Lá, foi possível verificar a atuação dessa associação criminosa voltada pra essa prática”, explicou o delegado. “O delegado de lá realizou a prisão em flagrante de um deles. Aqui em Manaus, prendemos o outro envolvido tentando se esconder em um motel da cidade”, completou.

Militares são presos por esquema de 'cashback' em Manaus; prejuízo ultrapassa R$ 5 milhões

Conexão interestadual

As investigações começaram após a prisão de um militar em São Paulo, que confessou ter ensinado o esquema a outros colegas. “Houve um trabalho árduo, sobretudo de contato interestadual entre as polícias do Amazonas e do estado de São Paulo. Foram cerca de 100 compras realizadas, com posterior cancelamento, gerando cashback que era inserido nas contas correntes dos envolvidos e, em seguida, convertido em dinheiro”, detalhou Ivo Martins.

A estrutura da fraude envolvia ainda a conversão dos valores em pontos, usados em sites de milhagens e outras plataformas, caracterizando lavagem de dinheiro.

Militares confessam esquema

“A ação de inteligência financeira foi coordenada pelo delegado Denis Pinho, que forneceu todos os subsídios operacionais para que pudéssemos deflagrar as ações que culminaram nas prisões dos dois infratores, que confessaram o delito”, afirmou Martins.

Apesar da condição militar dos envolvidos, o delegado reforçou que o crime não tem relação com as Forças Armadas: “Esse não é um caso relacionado às Forças Armadas, apenas tem essa prerrogativa dos envolvidos serem militares. Inclusive, a Força tem nos prestado assistência no que lhes é competência, não tivemos interferências quanto a isso”, disse.

Ambos seguem à disposição da Justiça. A PC-AM continuará a investigação para apurar se há mais pessoas envolvidas e vai solicitar o bloqueio de contas e rastreamento de bens adquiridos com o dinheiro obtido por meio do estelionato eletrônico.

“A investigação não termina com essas prisões. Ela começa aqui. Precisamos entender a extensão dessa organização criminosa, que já demonstrou atuação em outros estados”, finalizou o delegado.

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