Alice Melo da Silva, de 22 anos, registrou um boletim de ocorrência denunciando ter sido vítima de lesão corporal, ameaça e injúria, em contexto de violência doméstica, praticados por seu companheiro Petherson de Souza Matos, de 21 anos, pela sogra Gislene Paulo de Souza, de 48, e por sua cunhada, Amanda de Souza Rodrigues, de 30 anos. Segundo a denúncia, as agressões ocorreram na última sexta-feira (12/09).

De acordo com o relato de Alice nas redes sociais, ela sofreu golpes de caneta, socos, chutes e pontapés, sendo agredida até a intervenção do padrasto do ex-companheiro. Toda a violência ocorreu diante da filha dela, de 7 anos.

“Foi um dos piores dias da minha vida. Sofri diversas agressões físicas, incluindo mordidas, e golpes de caneta na perna. Fui agredida a ponto de ficar sem a parte de cima da minha roupa. Tudo isso na frente da minha filha de 7 anos”, desabafou a vítima em publicação no Instagram.

Violência doméstica
Alice contou que foi impedida de sair de seu quarto pelo companheiro e sofreu novas agressões quando a sogra exigiu que ela devolvesse o chip de seu celular.

“Ela portava um soco inglês, tomou meu celular e, em seguida, fui agredida novamente na frente da minha filha. O único que tentou me ajudar foi o padrasto dele”, disse.

A vítima afirmou também que já havia registrado boletim de ocorrência anos atrás contra o companheiro, mas não deu prosseguimento às denúncias: “Não foi a primeira vez. Já havia registrado um boletim de ocorrência contra ele anteriormente e possuo fotografias que documentam agressões passadas. Infelizmente não dei prosseguimento devido à dependência emocional e finaceira dele”, relatou.

Possível omissão policial
Além da violência física, Alice afirma que o companheiro teria oferecido R$ 1.500 a um policial para evitar que a denúncia avançasse. A vítima ainda acusa a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) de omissão no atendimento.

“A postura adotada pela Polícia Militar no primeiro momento foi inadequada. Constatou-se a omissão no atendimento a uma vítima de violência doméstica, que, juntamente com sua filha, apresentava-se em situação vulnerável: sem camisa, descalça, ferida e com marcas de agressão. Essa conduta configura, potencialmente, o crime de prevaricação”, afirmou o advogado Alexandre Torres Jr.

Segundo Alice, após insistir no socorro aos policiais, ela foi deixada em um ponto de ônibus e, somente depois, outra viatura a levou à delegacia.

“No entanto, ela afirma que nenhuma medida foi tomada. Nenhuma viatura sequer foi enviada à residência onde o ataque ocorreu para investigar a situação”, disse o advogado de defesa da vítima.

Alexandre reforçou que também vai abrir processo solicitando investigação sobre a conduta dos policiais.

Os acusados de agressão contra a jovem devem ser convocados a depor nos próximos dias. Se condenados, os suspeitos podem responder por lesão corporal grave, ameaça, injúria e violência doméstica, com penas que variam de 1 a 8 anos de prisão, além de crimes relacionados à exposição de menor à violência.

A reportagem solicitou posicionamento da PMAM. Em caso de resposta, a matéria será atualizada.

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