Cerca de 5% da população brasileira sofre dessa doença, que pode ser tratada e controlada
São Paulo — Você já se pegou fazendo uma compra desnecessária só porque “está barato”? Ou encontrando desculpas para justificar gastos desnecessários? Se sim, fique atento, pois esse pode ser um indício de que você é um comprador compulsivo.
Na cultura pop, não faltam representações de personagens viciados em compras, como a icônica Carrie Bradshaw, da série Sex and the City, ou a protagonista Rebecca, do filme Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic, 2009). Mas, além de estereótipos do cinema e da televisão, a compulsão por compras é uma doença que acomete cerca de 8% da população mundial, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No entanto, diferentemente do que se vê nas telas, não são apenas as mulheres que apresentam essa compulsão, que pode atingir pessoas de diferentes gêneros, faixas etárias e classe social. O que as pessoas que sofrem da doença têm em comum é a dificuldade de controlar as compras impulsivas, o que as leva a gastar mais do que poderiam e acumular dívidas.
Vivendo na “sociedade do consumo”, não é de se estranhar que as pessoas encontrem prazer ao adquirir novos bens. Porém, quando o prazer imediato da compra é logo substituído por frustração e decepção, é importante ficar alerta: além de ser um transtorno psicológico, a oniomania também carrega consigo grandes problemas financeiros para quem tem a doença.
Cerca de 5% da população brasileira sofre com a oniomania, doença que leva as pessoas a comprarem compulsivamente (Foto: Pixabay)
1. Você está sempre refém do cartão de crédito
Como a pessoa que faz compras compulsivamente não mede os gastos, não é incomum que o limite do cartão de crédito acabe estourando. Isso leva a um ciclo vicioso: a pessoa acumula dívidas, solicita outros cartões, e acaba se endividando neles também, pois não consegue controlar o desejo de comprar.
2. Você esconde suas compras de familiares e amigos
Mesmo que não conheça a doença pelo nome, é bastante comum que o comprador compulsivo sinta vergonha das aquisições, afinal, gastar demais é um comportamento muitas vezes reprovado pela sociedade. Por isso, tem por hábito esconder as compras de amigos e familiares, por medo de ser julgado.
3. Sua vontade de comprar aumenta em momentos de stress e ansiedade
O impulso pelas compras costuma surgir atrelado a outros sentimentos: tristeza, estresse, nervosismo, e até mesmo situações em que a pessoa se sente sob pressão. Fazer compras se torna uma forma de aplacar essas emoções, pois o ato da compra traz uma sensação de euforia imediata.
4. Você se sente frustrado após fazer uma compra
O sentimento de êxtase ao fazer compras é rapidamente substituído pela culpa, decepção e frustração. Pensamentos como “por que eu fiz isso?” e arrependimento são comuns, mas não impedem que a pessoa volte a fazer compras em outros momentos.
5. Você recorre a empréstimos para continuar comprando
Mesmo endividado e sem dinheiro, o comprador compulsivo não quer parar de fazer compras. Por isso, recorre a empréstimos com amigos e familiares, e até mesmo a empréstimos bancários, para continuar bancando o vício.
Se você acredita que se encaixa nesses sintomas, ou conhece alguém que é um comprador compulsivo, o primeiro passo é buscar acompanhamento profissional para tratar a doença. A psicoterapia é um dos caminhos mais indicados para o tratamento, pois tem o objetivo de encontrar a raiz do problema. Mas não para por aí: para controlar o impulso pelas compras, o apoio e acompanhamento financeiro também são um passo importante.
Segundo o orientador financeiro André Barretto, o planejamento das finanças ajuda a visualizar melhor a entrada e saída de caixa: “Quando tomamos consciência e conseguimos organizar os valores que gastamos e os que recebemos, melhoramos a nossa relação com o dinheiro. A orientação financeira é uma ferramenta importante para que as pessoas tenham cada vez mais discernimento, evitem gastos supérfluos e consigam poupar e quitar as dívidas acumuladas”, explicou.
Ainda de acordo com Barreto, o planejamento financeiro é diferente de pessoa para pessoa, pois precisa ser condizente com a realidade de cada um. Por isso, o acompanhamento individual ajuda a entender o próprio cenário e as melhores formas de começar a quitar as dívidas e de poupar dinheiro.
“É importante ressaltar que, no caso de compradores compulsivos, o planejamento financeiro, sozinho, não é suficiente. O acompanhamento terapêutico profissional é indispensável”, finalizou.
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 16/12/2021
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