Por Paulo Eduardo Barni, Anelícia Cleide Martins Rego, Francisco das Chagas Ferreira Silva, Richard Anderson Silva Lopes, Haron Abrahim Magalhães Xaud, Maristela Ramalho Xaud, Reinaldo Imbrozio Barbosa e Philip Martin Fearnside
A avaliação da severidade do fogo consumindo o material combustível e matando uma fração da biomassa viva da floresta acima e abaixo do solo foi conduzida de acordo com a técnica recomendada por Fernándes-Manso et al. [1], usando índices de vegetação, incluindo o índice de vegetação por diferença normalizada (NDVI). Nesta abordagem, os valores de NDVI foram extraídos da imagem Landsat 8 de 9 de junho de 2016 (231/60) correspondente à floresta incendiada na área de estudo, e a discriminação foi feita entre quatro níveis crescentes de severidade do fogo: leve, moderado, forte e muito forte (Tabela 1). Os pontos de quebra dos intervalos de classificação para valores de NDVI foram definidos automaticamente pelo software (Jenks natural breaks: [2, 3] em cinco classes, com a quinta classe (-1 a 0,2246) correspondendo a pixels com valores espúrios, que foram excluídos da análise
.

No estudo de Fernándes-Manso et al. [1], com base na interpretação visual das imagens do sensor Pleiades-1A / 1B, a classe ‘leve’ correspondeu a danos menores ou insignificantes da cicatriz de fogo; a classe ‘moderada’ correspondeu a uma área moderadamente danificada; o nível de severidade ‘forte’ correspondeu a uma área altamente danificada e; o nível de severidade ‘muito forte’ correspondeu a uma área totalmente destruída por um incêndio. Embora o estudo de Fernandes-Manso et al. [1] foi realizado em uma região da Espanha dominada por Pinus pinaster Ait e Quercus pyrenaica Wild, que é um tipo de vegetação completamente diferente daquela da Amazônia, é importante destacar que em nosso estudo utilizamos apenas a nomenclatura para as classes de severidade de fogo baseadas nestes autores, correspondendo às classes de separação dos valores de NDVI obtidos em nossa área de estudo.
Nossa escolha baseou-se na familiaridade com o uso do NDVI e na avaliação dos diversos índices de vegetação realizada por Fernandes-Manso et al. [1]. Por exemplo, esses autores indicaram que o NDVI alcançou escores semelhantes aos da razão de queima normalizada (NBR) em um teste de pseudo-R2 de Cox e Snell (0,430 e 0,450) e em um teste de pseudo-R2 de McFadden (0,289 e 0,247) para NDVI e NBR respectivamente. Em nosso estudo, o NDVI foi altamente correlacionado com NBR (Figuras S1 e S2; Tabela S5). [4]



A imagem que abre este artigo mostra queimada na região da Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia), em uma área com cerca de 8.000 hectares de desmatamento, a maior em 2022 (Foto: Nilmar Lage/Greenpeace/30/08/22).
Notas
[1] Fernández-Manso, A., Fernández-Manso, O. & Quintano, C. 2016. SENTINEL-2A red-edge spectral indices suitability for discriminating burn severity. International Journal of Applied Earth Observation and Geoinformation, 50: 170–175.
[2] Dent, B.D., Torguson, J. & Hodler, T. 1990. Cartography: Thematic Map Design. Second edition. Dubuque, Iowa, EUA: William C. Brown. 448 pp.
[3] Slocum, T.A. 1999. Thematic Cartography and Visualization. Upper Saddle River, New Jersey, EUA: Prentice Hall. 460 pp.
[4] Esta série é uma tradução parcial de Barni, P.E., A.C.M. Rego, F.C.F. Silva, R.A.S. Lopes. H.A.M. Xaud, M.R. Xaud, R.I. Barbosa & P.M. Fearnside. 2021. Logging Amazon forest increased the severity and spread of fires during the 2015-2016 El Niño. Forest Ecology and Management 500: art. 119652.
Sobre os autores
Paulo Eduardo Barni é Engenheiro Florestal graduado pela Universidade Federal do Amazonas (2007), mestre em Ciências de Florestas Tropicais – CFT, pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA/Manaus (2009) e doutor em Clima e Ambiente, pelo INPA e Universidade Estadual do Amazonas – UEA (2014). Seu interesse em pesquisa inclui modelagem ambiental e climática, com ênfase no comportamento do fogo florestal de sub-bosque, queimadas, simulações de desmatamento, recuperação de áreas degradadas, biomassa de capoeiras e estocagem e emissões de carbono florestal para a atmosfera. É professor da Universidade Estadual de Roraima – UERR, Campus Rorainópolis, Região Sul do Estado de Roraima.
Anelícia Cleide Martins Rego é aluna de graduação na Universidade Estadual de Roraima – UERR, Campus Rorainópolis.
Francisco das Chagas Ferreira Silva é aluno de graduação na Universidade Estadual de Roraima – UERR, Campus Rorainópolis.
Richard Anderson Silva Lopes concluiu a Especialização em Geoprocessamento pela Universidade de Brasília em 2005. Atualmente é Técnico especializado no Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, Boa Vista, Roraima. Atua na área de Geografia, com ênfase em Sensoriamento Remoto.
Haron Abrahim Magalhães Xaud é Eng. Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) com Mestrado e Doutorado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE. É pesquisador da Embrapa-Roraima e professor permanente do PRONAT-UFRR (Mestrado e Doutorado). Se dedica a pesquisas nas áreas de Recursos Florestais, Sensoriamento Remoto, Agricultura Sem Queima, Gestão Territorial e Incêndios Florestais.
Maristela Ramalho Xaud possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1993) e mestrado (1998) e doutorado (2013) em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE. É pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Roraima). Tem experiência em sensoriamento remoto e geoprocessamento em estudos sobre desmatamento, queimadas, incêndios florestais e mudanças de uso e cobertura da terra. Atua como professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da Universidade Federal de Roraima-UFRR.
Reinaldo Imbrozio Barbosa é Engenheiro Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Doutor em Biologia Tropical (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui especial interesse em estudos relacionados às mudanças climáticas, uso e ocupação da terra, dinâmica de ecossistemas e emissões de gases do efeito estufa decorrentes das atividades antrópicas na Amazônia. É pesquisador titular do INPA, Professor do Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da UFRR (Doutorado/Mestrado) e professor colaborador nos cursos de Pós-graduação em Ecologia e Ciências Florestais do INPA (Doutorado/Mestrado). Suas publicações podem ser encontradas aqui.
Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 750 publicações científicas e mais de 650 textos de divulgação a que estão disponíveis aqui.
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