Por Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Leonardo Guimarães Ziccardi, Maria Isabel Sobral Escada e Philip Martin Fearnside
Embora seja possível encontrar imóveis rurais de todos os tipos nas margens da rodovia Transamazônica, imóveis rurais pequenos (< 100 ha) e semi-pequenos (100 – 400 ha) estavam mais próximos da rodovia Transamazônica em comparação aos outros tamanhos de imóveis. As distâncias máximas em que imóveis rurais pequenos e semi-pequenos foram encontrados em relação à rodovia Transamazônica foram 24 km (pequeno) e 41 km (semi-pequeno). Em contraste, imóveis rurais médios (> 400 – 1.500 ha) e grandes (> 1.500 ha) foram encontrados em distâncias de até 65 km (médio) e 48 km (grande) (Figura 10). As diferenças entre as distâncias médias da estrada principal até os diferentes tipos de imóveis rurais mostram que imóveis rurais menores tendem a estar mais próximos da estrada principal do que imóveis rurais maiores (Figura 10).
Distribuição dos tipos fundiários em relação à Rodovia Transamazônica (BR-230)

As distâncias médias dos imóveis de cada tipo para a rodovia Transamazônica foram 6 ± 6 km (imóveis pequenos), 9 ± 9 km (imóveis semi-pequenos), 21 ± 15 km (imóveis médios) e 22 ± 14 km (imóveis grandes). Não foi encontrada diferença significativa entre as distâncias médias dos pequenos e semi-pequenos imóveis (p = 0,08) em relação à rodovia Transamazônica, e resultado semelhante foi encontrado entre os médios e grandes imóveis (p = 0,62). No entanto, foram encontradas diferenças significativas entre grandes e pequenos (p < 0,001), grandes e semi-pequenos (p < 0,001), médios e pequenos (p < 0,001) e médios e semi-pequenos (p < 0,001). Constatamos que 51% (67 de 131) dos imóveis pequenos estavam localizadas ≤ 5 km da rodovia Transamazônica, seguidos por 46% (152 de 327) dos imóveis semi-pequenos, 17% (22 de 133) dos imóveis médios e apenas 5% (2 de 37) dos imóveis.
As distâncias médias dos imóveis rurais de cada tipo para a rodovia Transamazônica foram 6 ± 6 km (imóveis rurais pequenos), 9 ± 9 km (imóveis rurais semi-pequenos), 21 ± 15 km (imóveis rurais médios) e 22 ± 14 km (imóveis rurais grandes). Não foi encontrado diferença significativa entre as distâncias médias dos pequenos e semi-pequenos imóveis (p = 0,08) em relação à rodovia Transamazônica, e resultado semelhante foi encontrado entre os médios e grandes imóveis rurais (p = 0,62). No entanto, foram encontradas diferenças significativas entre grandes e pequenos (p < 0,001), grandes e semi-pequenos (p < 0,001), médios e pequenos (p < 0,001) e médios e semi-pequenos (p < 0,001). Constatamos que 51% (67 de 131) dos imóveis pequenos estavam localizados ≤ 5 km da rodovia Transamazônica, seguidos por 46% (152 de 327) de imóveis semi-pequenos, 17% (22 de 133) imóveis rurais médios e apenas 5% (2 de 37) dos imóveis rurais grandes.
Da área de terras públicas não destinadas na área de estudo, 43% (210.264 ha) foi ocupada pelos imóveis analisados. A maioria dos imóveis rurais pequenos e semi-pequenos estavam localizados nesta categoria fundiária, porém, um imóvel semi-pequeno foi encontrado em uma unidade de conservação (Figura 11). Imóveis rurais médios e grandes também foram encontrados no assentamento agroextrativista e em unidades de conservação, indicando ocupação ou intenção de ocupar a terra por médios e grandes atores (Figura 11).

Um imóvel rural médio foi encontrado em Terra Indígena (Figura 11a), e 22 imóveis rurais médios e 9 grandes foram encontrados em unidades de conservação (Figuras 10, 11ª e 11c); o acesso a esses imóveis rurais é feito por estradas secundárias ligadas à rodovia Transamazônica. Pequenas manchas de desmatamento foram encontradas dentro de alguns desses imóveis rurais (Figuras 11b e 11c). Como alguns imóveis rurais pequenos e semi-pequenos estão localizados nos limites das Terras Indígenas (Figura 10), uma pequena porção (< 0,2%) dos limites dos imóveis rurais cruzou as Terras Indígenas. [1]

A imagem que abre este artigo é de autoria de Bruno Kelly/Amazônia Real e mostra família em um igreja evangélica de madeira na área rural do município de Apuí, Amazonas, próxima à BR 320.
Notas
[1] Este texto é uma tradução parcial de Yanai, A.M.; Graça, P.M.L.A.; Ziccardi, L.G.; Escada. M.I.S.; Fearnside. P.M. 2022. Brazil’s Amazonian deforestation: The role of landholdings in undesignated public lands. Regional Environmental Change 22: art. 30.
Sobre os autores:
Aurora Miho Yanai é pós-doutoranda no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais e tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.
Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.
Leonardo Guimarães Ziccardi tem mestrado em ciências de florestas tropicais pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Graduação em engenharia florestal pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Atualmente está terminando seu doutorado no Departamento de Silvicultura na Michigan State University, East Lansing, Michigan, EUA. Ele tem trabalhado com o impacto em floresta amazônica de exploração madeireira, incêndios e aumento de bambus, com as causas do desmatamento e com processos geoquímicos na copa da floresta amazônica.
Maria Isabel Sobral Escada doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.
Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 750 publicações científicas e mais de 700 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui.
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