Iniciativa do Congresso em Foco e Sleeping Giants Brasil visa bloquear anúncios publicitários em portais de desinformação e redirecionam para sites confiáveis como a Amazônia Real, AzMina e Ponte Jornalismo.


Por acidente, o leitor pode entrar em um site jornalístico, ou que se parece com um, e passar a acreditar que os Yanomami são uma invenção branca, segundo “uma teoria” de um coronel do Exército. Ou em outro que afirma que a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, “passa mais tempo na Europa do que na Amazônia”. Há ainda o portal que dá espaço para um autor de livro evangélico que defende que a solução para o aquecimento global está na Bíblia… Para combater desinformações como essas foi lançado, nesta terça-feira (18), um antídoto que atinge o bolso dos que ganham para propagar mentiras na internet, o MoneyBlocker.

O Congresso em Foco e o Sleeping Giants Brasil estão à frente do Money Blocker, que é uma extensão para o Google Chrome para bloquear anúncios publicitários em portais que comprovadamente divulgam desinformação. Com esse bloqueio, sites não confiáveis deixam de faturar com as chamadas “fake news”.

A extensão do Money Blocker funciona como se fosse um plug-in e pode ser instalado no computador desktop. Depois de instalado, ao acessar um site que comprovadamente propague desinformação, o banner do patrocinador será bloqueado no navegador Google Chrome. Em vez da propaganda, aparecerá um quadro vermelho, com um convite para acessar páginas de jornalismo confiável, entre elas a Amazônia Real, que apoia a iniciativa desde o início. Quando a pessoa clicar na mensagem, ela será redirecionada automaticamente para sites confiáveis.

“A Amazônia Real sempre combateu a desinformação produzindo reportagens investigativas, que exigem uma apuração profunda e criteriosa. Então é uma honra estar entre os sites confiáveis do MoneyBlocker, um projeto inovador para o jornalismo independente brasileiro”, disse Kátia Brasil, uma das fundadoras da Amazônia Real. 

Nesta primeira etapa, além da Amazônia Real, participam também do projeto a Revista AzMina, a Ponte Jornalismo e o Fiquem Sabendo, todas iniciativas de jornalismo independente. Outros veículos de comunicação que levam o jornalismo a sério também deverão se integrar ao projeto em breve.

A extensão Money Blocker está disponível somente para o Google Chrome e foi criada pela agência Publicis Toronto e desenvolvida pela produtora 20Dash. A iniciativa é do Sleeping Giants em parceria com o Congresso em Foco. Para baixar o Money Blocker, acesse aqui.

Para Sylvio Costa, fundador do Congresso em Foco, o Money Blocker vai facilitar o trabalho de quem não quer mais perder tempo consumindo notícias falsas. “Ao impactar a audiência desses canais, ele contribui para reduzir a sustentabilidade financeira de veículos que hoje ganham dinheiro produzindo ou reproduzindo informação incorreta”, afirmou à Amazônia Real. Costa alerta que nos últimos anos muitas pessoas passaram a consumir “notícias” que confirmam a sua visão de mundo, descartando o trabalho jornalístico sempre que este pode levá-las a questionar suas crenças pessoais. Iniciativas como essa servem para alertar a sociedade sobre o que é fake e o que é verdadeiro. O Congresso em Foco é um veículo especializado na cobertura do Senado e da Câmara Federal, em Brasília, e também dos principais fatos políticos do País. 

Desmonetizando os sites

O Sleeping Giants Brasil é um movimento de ativistas digitais que atua no combate à propagação de discurso de ódio e fake news. Desde 2020, suas campanhas já fizeram sites não confiáveis perderem mais de 62 milhões de reais em publicidade. Entre os alvos, veículos que disseminam informações falsas sobre a vacina contra a Covid-19 e o processo eleitoral do ano passado.

Um caso conhecido de atuação desse movimento foi o do apresentador Sikêra Jr, que apresentava o programa Alerta Nacional, na Rede TV!, e tinha como jargão “CPF Cancelado” (para comemorar quando alguém era morto). Em 28 de junho de 2021, o Sleeping Giants Brasil  deu início a uma campanha nas redes sociais contra Sikêra Jr. em parceria com o roteirista Pedro HMC, ativista LGBTQIAPN+. O motivo: o apresentador havia chamado a comunidade LGBTQIAPN+ de “raça desgraçada”. A campanha, na ocasião, gerou uma debandada em massa de anunciantes da atração televisiva.

Os exemplos citados na abertura deste texto são de sites (que não valem a pena ser citados) que afrontam o jornalismo, e se proliferaram nos últimos quatro anos sob a onda do bolsonarismo. Negacionistas, devotos de teorias conspiratórias ou simuladores de jornalistas, estes endereços tornam a internet tóxica. A Amazônia Real, quando necessário, trabalha para desmentir ou checar conteúdos falsos publicados. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, a desinformação chegou a um ponto de pôr em risco a vacinação de crianças em Manaus e apavorar os indígenas, que receavam se imunizar por causa de fake news.


Para garantir a defesa da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão, a agência de jornalismo independente e investigativa Amazônia Real não recebe recursos públicos, não recebe recursos de pessoas físicas ou jurídicas envolvidas com crime ambiental, trabalho escravo, violação dos direitos humanos e violência contra a mulher. É uma questão de coerência. Por isso, é muito importante as doações das leitoras e dos leitores para produzirmos mais reportagens sobre a realidade da Amazônia. Agradecemos o apoio de todas e todos. Doe aqui.


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