Após quase dois anos de crise sanitária, esses indivíduos sofreram de maneira mais intensa o isolamento social
Estamos finalizando o mês de janeiro e com ele as ações voltadas para a saúde mental, lembrando que estamos no “janeiro branco”, onde tradicionalmente são realizados movimentos de apoio aos problemas da mente. Nesse período, um dos públicos que mais padeceu durante a pandemia foram os idosos. Após quase dois anos de crise sanitária, esses indivíduos sofreram de maneira mais intensa o isolamento social, muitos enfrentaram períodos de solidão e ainda tiveram que lidar com o medo, seja de contrair a doença ou mesmo de perder alguém para o vírus.
De acordo com a OMS, a população mundial está envelhecendo rapidamente. Entre 2015 e 2050, a proporção de idosos ao redor do mundo estaria estimada para quase dobrar de 12% para 22%, serão quase 2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Os idosos em especial enfrentam desafios físicos e psicológicos únicos para suas idades, sendo que estudos mostram que mais de 20% dos adultos com mais de 60 anos sofrem de algum tipo de transtorno envolvendo a saúde mental, sendo a demência e a depressão a mas comuns, afetando aproximadamente de 5% a 7% dos idosos ao redor do mundo, respectivamente.
Acontecimentos como a perda de entes queridos e o declínio de suas habilidades funcionais normalmente agem negativamente na vida dos idosos, de forma a aumentar, por exemplo, sua solidão e seus níveis de estresse. É importante lembrar que isolamento social não é e nem deve significar isolamento emocional. Idosos sozinhos em casa e distantes da família ou em casas de repouso, precisam receber contato humano. Eles precisam se sentir acolhidos, amados e assistidos.
Uma forma saudável de apoio são as atividades físicas. Estudos mostram a importância de um estilo de vida ativo para prevenção de problemas de saúde mental nos idosos. A atividade física tem conseguido reduzir e/ou atrasar os riscos de demência, embora não se possa afirmar que a atividade física evita a demência. Vale lembrar que atividades passivas demais, como assistir a televisão o dia todo não são muito benéficas. É fundamental que se invista em atividades que estimulem o raciocínio. Os famosos passatempos como palavras-cruzadas, sudoku, caça-palavras e quebra-cabeças podem ser boas alternativas. Seguindo-se as recomendações médicas para o corpo e a mente, tudo ficará bem.
Os idosos são um dos grupos mais atingidos na pandemia e um dos que mais sofreram durante esses quase dois anos de crise sanitária. Não se pode negligenciar esse público em especial. Por isso, medidas devem ser tomadas para manter a mente saudável, como atividades físicas e de raciocínio. Nada de isolamento e atividades passivas demais. Lembre-se, cuidar da saúde mental é uma forma de chegar bem à velhice e aproveitá-la com ainda mais plenitude. Viva bem, viva com saúde!
 
*Médico oftalmologista. Tem formação em Oftalmogeriatria, com especialização em Gerontologia e Saúde do Idoso. Atua como diretor clínico na Policlínica Codajás, é coordenador do ambulatório de oftalmologia na FUnATI (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade ) e cursa mestrado em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Fundação de Medicina Tropical (UEA/FMT – HVD).
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 27/01/2022
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