Relatório da Rede de Observatórios da Segurança apontou que 78,4% das vítimas de violência sexual no Amazonas eram crianças e adolescentes, em 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) e foram produzidos a partir de um monitoramento diário do que circulou nas mídias sobre violência e segurança no ano de 2025.
Foram registrados 353 casos de violência na faixa etária de 0 a 17 anos, sendo cinco meninas indígenas. Levantamento releva que apesar das operações policiais, os crimes sexuais continuam incidindo de forma sistemática sobre a infância feminina.
No relatório, a região Norte aparece como um espaços mais agudos dessa crise de segurança dirigida às mulheres. Amazonas e Pará despontam como epicentros desse crescimento, com aumentos de 69,4% e 76,0%, respectivamente.
No Amazonas, a gravidade do quadro evidencia-se tanto pelo elevado número de tentativas de feminicídio e agressões físicas (383 registros) quanto pela incidência expressiva de violência sexual (353 registros), configurando um cenário de risco extremo e continuado.
No Pará, por sua vez, a violência é marcada por um índice elevado de feminicídios consumados (73 registros) e tentados (299 registros).
Brasil
A cada 24 horas, 12 mulheres, em média, são vítimas de violência em nove estados acompanhados pela Rede de Observatórios da Segurança: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Ao todo, 4.558 mulheres sofreram algum tipo de violência nos locais incluídos pela pesquisa, número que representa aumento de 9% em relação a 2024.
O levantamento também aponta crescimento expressivo da violência sexual. Foram 961 registros de estupro ou violência sexual em 2025, um aumento de 56,6% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 602 casos. Entre as vítimas, 56,5% eram meninas de 0 a 17 anos.
Outro ponto do relatório é a relação entre vítimas e agressores: 78,5% das violências foram cometidas por companheiros ou ex-companheiros. Ou seja, segundo o relatório, a maior parte dos casos acontece “dentro de relações afetivas”.
O estudo contabilizou 546 casos de feminicídio e sete de transfeminicídio. No total, são 1.004 mortes quando considerados homicídios, feminicídios e transfeminicídios.
A publicação também chama atenção para a falta de informações raciais nos registros de violência na mídia. Em 86,7% dos casos, não havia identificação de raça ou cor das vítimas, o que, segundo os pesquisadores, dificulta a elaboração de políticas públicas direcionadas.
Como denunciar
É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail [email protected].
Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) ou em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira.
Ainda é possível pedir ajuda por meio dos números Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e 190, de ocorrências policiais.
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