O chamado “verão amazônico” — período tradicionalmente caracterizado por céu aberto e altas temperaturas — veio diferente em 2025. Ao invés da estiagem esperada, a população foi surpreendida por chuvas frequentes, que mudaram a rotina em Manaus e em cidades do interior. O cenário atípico reacendeu o debate sobre a influência das mudanças climáticas no regime de chuvas da região amazônica.

Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), entre junho e agosto de 2025, áreas do centro, sudoeste e norte do Amazonas, além de regiões do Pará, registraram chuvas acima da média histórica. Em Manaus, por exemplo, os acumulados ficaram entre 21% e 136% acima do esperado para o período.

O instituto explica que o volume elevado esteve relacionado a instabilidades convectivas locais e ao transporte de umidade do Atlântico Norte para o continente, condições que favoreceram pancadas intensas.

Outro ponto importante: a intensificação das chuvas não esteve ligada ao fenômeno El Niño. Durante junho e julho, o Oceano Pacífico se manteve em neutralidade, e em agosto iniciou-se o resfriamento das águas, com previsão de instalação do La Niña até o fim do ano.

“A previsão climática do INMET indica uma tendência de aumento gradual das chuvas nos próximos meses, outubro a dezembro, nas porções sul e oeste do estado. Menores volumes são previstos para o nordeste do Amazonas”, informou o instituto ao Toda Hora.

População ‘desacostumou’

Já a Defesa Civil do Amazonas reforça que o prognóstico trimestral já apontava acumulados significativos, mas dentro do esperado para o período. O órgão lembra que, após dois anos consecutivos de seca extrema, a população se acostumou a associar o verão amazônico a longos períodos sem chuva.

“Este período, do ponto de vista climatológico, não corresponde a uma estação seca, mas sim a uma estação menos chuvosa. Situações de tempo excessivamente seco, sim, configuram cenários fora da normalidade. Embora o período atual seja conhecido como “verão amazônico”, marcado pela redução do volume de chuvas, episódios de maior intensidade podem ocorrer em razão da atuação de sistemas atmosféricos de grande escala, como ondas de instabilidade e a maior disponibilidade de umidade. Esses episódios, ainda que menos frequentes, fazem parte da variabilidade climática da região”, pondera.

A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os boletins meteorológicos e seguir as recomendações oficiais, especialmente em áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos.

Uma das manauaras que está estranhando as temperaturas mais amenas é a idosa Margareth Oliveira, de 62 anos. “Nem lembrava de um agosto e setembro tão tranquilos. É claro que ainda tem dias que o calor aperta e fico agoniada, mas dessa vez eles estão revezando com esses dias mais geladinhos. Eu aproveito até para economizar na energia de luz”, comemora.

Mudanças climáticas

Conforme o Inmet, estudos das últimas quatro décadas mostram que a Amazônia tem registrado chuvas mais fortes nas estações úmidas e secas mais severas na estiagem. Para os próximos dias, a previsão do Inmet indica pancadas pontuais de chuva intercaladas com períodos de sol, com acumulados de 10 a 30 mm em uma semana.

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