O espetáculo com luzes e barulho intenso pode desencadear crises principalmente em pessoas com transtorno do espectro autista
São Paulo – Com a chegada das festas de fim de ano, muitas pessoas esperam ansiosamente para a tradicional queima de fogos de artifício no Natal e Ano Novo. Mas, apesar da beleza, o espetáculo de luzes e barulhos pode ser prejudicial à saúde de diversas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
(Foto: Alexandre Macieira/Secom-RJ)
Segundo dados do Centro de Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a prevalência do Transtorno do Espectro Autista é de 1 em cada 54 crianças. A psicóloga Priscilla Martins, do Instituto Castro, explica que para este grupo de pessoas a tradição pode significar um verdadeiro pesadelo.
“Isso ocorre em função da hipersensibilidade sensorial que os portadores de TEAM têm em relação aos estímulos do ambiente, uma vez que escutam todos os sons de uma única vez. Esta simultaneidade pode ocasionar sobrecarga à audição e estender as crises por dias, além da possibilidade de afetar sentidos como tato, paladar e visão”, conta.
A psicóloga ressalta que a tradição ainda pode ser um incômodo para aqueles que sofrem de transtornos como o de Ligirofobia, também chamado de fonofobia, que consiste no medo extremo, e muitas vezes irracional, de barulhos muito altos, estridentes e repentinos.
“Ainda temos os que sofrem do Transtorno de Ansiedade e Pânico, ademais os casos de portadores de Síndrome de Down e outros transtornos que podem piorar perante a exposição a barulhos”, explica.
Além disso, a especialista destaca que o barulho dos fogos também pode ser um incômodo para idosos e pessoas com alguma dificuldade para ter o controle de suas emoções.
“As vítimas destes sons tendem a apresentar comportamentos de estresse muito alto, visto que a sensibilidade a ruídos traz muito desconforto, uma sensação que não se controla facilmente. É importante que estejam acompanhados e que possam sentir muita segurança no ambiente em que estiverem.”
A piscóloga ressalta que além dos fogos, há ainda outros sons comuns durante esses eventos de fim de ano que podem causar desconforto para essas pessoas.
“Qualquer manifestação e apresentação de ruídos pode remeter a elas uma sensação de medo ampliado, insegurança e falta de controle emocional. Estas sensações pode ser desencadeadas pelo barulho, que pode ser uma música muito alta, conversas, discussões, buzinas, apitos intermitentes, sirenes e outros ruídos.”
Para que esse problema seja evitado, Priscilla recomenda que se procure espaços com pouco barulho, onde exista pouca ou nenhuma possibilidade de ruído, a fim de não expor a pessoa a condições desconfortáveis.
“Caso não seja possível, vale buscar outras alternativas como os fones de ouvido anti-ruídos, incentivar o repouso, orientar a pessoa a dormir mais cedo e, principalmente, explicar sobre a possibilidade dos barulhos que a pessoa eventualmente estará exposta. Também é importante ficar perto, oferecer segurança e suporte a essas pessoas. São pequenos gestos que auxiliam o processo como um todo.”
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 28/12/2021
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