O cantor e compositor Paulo Onça, expoente da cena artística do samba amazonense, completou, em abril, quatro meses internado, enfrentando um longo e delicado processo de recuperação desde o dia em que foi agredido durante um acidente de trânsito. No Hospital João Lúcio desde dezembro de 2024, o artista já passou por diversas complicações médicas que alteraram completamente a rotina de sua família, especialmente da esposa, Simone Noronha, que se afastou do trabalho para se dedicar integralmente aos cuidados com ele.

Atualmente, ele passa por novos procedimentos que criam um cenário de otimismo para sua recuperação.

Procedimentos e complicações

Durante o período na unidade hospitalar, Onça realizou cinco procedimentos cirúrgicos, alguns deles com complicações. O mais grave foi diagnosticado em março: síndrome do trefinado, que é uma consequência da perda de uma parte óssea do crânio e dá o aspecto de afundamento na cabeça. A intervenção sugerida neste caso pelos profissionais que o acompanham foi a cirurgia de cranioplastia interna, entretanto, uma bactéria contraída por ele fez com que ela tivesse que ser adiada.

“Recebemos um prognóstico que, devido à perda do retalho ósseo do crânio, o Paulo desenvolveu a síndrome do trefinado, isso faz com que toda evolução que ele vinha tendo tenha regredido e a estratégia para mudar esse quadro é uma cirurgia chamada: cranioplastia interna, porém o quadro clínico dele naquele momento era instável, devido uma bactéria. Então foi feito uma manobra chamada cranioplastia externa. Atualmente, ele está sem a bactéria e acredito que esta semana seja realizada a cirurgia e a partir daí teremos novas dinâmicas e estratégias na recuperação dele”, revelou a esposa Simone Noronha.

Paulo Onça completa quatro meses internado e cirurgia é esperança para recuperação
Cantor teve afundamento do crânio | Foto: arquivo pessoal 

Rotina intensa e apoio da família

Ao longo dos meses e com a mudança no quadro do artista, a rotina da esposa e familiares mudou totalmente, resultando em um grande cansaço, físico e mental. Simone precisou se afastar do cargo para se dedicar integralmente aos cuidados de Paulo.

“Me afastei do trabalho para me dedicar exclusivamente à recuperação dele. No início do terceiro mês tive um esgotamento físico e fui amparada pela minha irmã, que começou a revezar comigo, com um irmão que dorme todas as noites no hospital. Agora um dos filhos também entrou na escala de revezamento”, relata.

Para Simone, o maior desafio tem sido compreender a gravidade do quadro e lidar com cada nova notícia. “Todos os dias são um desafio. Não é algo simples, é muito mais grave do que imaginávamos. Cada cirurgia, cada diagnóstico é uma batalha”, desabafa.

Apoio emocional e financeiro

Apesar das dificuldades, o casal tem recebido o carinho de amigos, familiares e da comunidade do samba, especialmente nas últimas semanas, com a criação de um perfil no TikTok para mobilizar apoio. Financeiramente, as principais ajudas vieram por meio de uma ‘vakinha’ online, criada em março.

“Hoje meu maior gasto é com transporte para ir ao hospital, alimentação para mim e meus irmãos, produtos de higiene e alguns medicamentos. Mas o maior desafio financeiro virá após a alta, quando ele precisará de atendimento domiciliar, com fisioterapia, fonoaudiologia, técnicos de enfermagem e outros profissionais”, pontua Simone.

Para contribuir nas doações, basta acessar o link www.vakinha.com.br/5376343.

Fé e esperança

Apesar dos altos e baixos, Simone mantém firme sua fé. “Minhas expectativas são altas. Acredito fielmente em Deus e confio em toda a equipe do hospital João Lúcio, a quem aproveito para agradecer. Sei que a estrada é longa, mas creio que o Paulo vai se recuperar e voltar ao convívio familiar, com os amigos e, claro, aos palcos, fazendo o que mais ama: cantar e compor.”

Ela também reforça a importância do apoio espiritual e das boas vibrações. “Toda ajuda é bem-vinda, principalmente as orações, independente da religião. Toda prece, reza ou axé é reconfortante nesse momento. Servimos a um único Deus.”

Ícone do samba amazonense

Paulo Onça é uma figura emblemática do samba, tanto no Amazonas quanto no cenário nacional. Com uma carreira iniciada aos 16 anos, ele acumula mais de 130 composições que marcaram o carnaval amazonense e carioca. Entre suas obras de destaque está “Feitiço de Paixão”, gravada por Jorge Aragão, sua composição “Hoje é dia de Ivete” foi o samba-enredo da Grande Rio em 2017, homenageando Ivete Sangalo.

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