O grupo de influenciadores digitais de Manaus envolvidos no esquema de venda de rifas ilegais na internet foi interrogado nesta sexta-feira (05) em audiência de instrução no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, zona Sul da capital. Os oito réus são denunciados por organização criminosa, disposição de coisa alheia como própria, promoção de loteria sem autorização legal e sonegação fiscal e lavagem de capital.

João Lucas da Silva Alves, 24, conhecido como “Lucas Picolé; Enzo Felipe da Silva Oliveira, 14, “Mano Queixo”, Flávia Ketlen Matos da Silva; Isabelly Aurora Simplício Souza, 21;  Aynara Ramilly Oliveira da Silva; Paulo Victor Monteiro Bastos; Isabel Cristina Lopes Simplício; e Marcos Vinícius Alves Maquiné foram indiciados por 11 crimes investigados na Operação Dracma, realizada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) no ano passado.

A audiência foi presidida pela juíza Aline Kelly Ribeiro Marcovicz Lins, que realizou o interrogatório dos oito réus e a oitiva de uma vítima e de duas testemunhas de defesa. Outras vítimas e as testemunhas de acusação já tinham sido ouvidas na primeira etapa da audiência, realizada no início do mês de março.

Durante a instrução desta sexta, foi negado o pedido de liberdade de João Lucas e mantida a prisão porque o réu descumpriu medidas cautelares anteriormente e porque não há excesso de prazo na conclusão da instrução, pois esta fase só não foi encerrada na data de hoje por requerimento da defesa, conforme a magistrada.

Após cumprimento de diligências, requeridas pela defesa, os autos serão enviados ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e à defesa para alegações, depois disso será proferida sentença no processo.

Denúncia
O Ministério Público denunciou os acusados por diversos crimes em 21 de setembro de 2023, constando três vítimas.

Na denúncia, o MP ponta fatos que envolvem o recebimento de valores altos em dinheiro por Lucas e Isabelly, decorrentes do pagamento de bilhetes de rifas por diversos prêmios, dentre os quais veículos, enquanto Aynara, ex-companheira de Lucas, e Enzo recebiam quantias provenientes de rifas cujos prêmios eram menores.

Ainda segundo o MP, Enzo trabalhava juntamente com Lucas em todas as fases da operação, estando envolvido na arrecadação de prêmios e nas entregas.

Para dissimular a propriedade do dinheiro, ainda conforme a denúncia, Lucas utilizava a conta de Marcos, com seu consentimento, sabendo que seria utilizada para receber dinheiro proveniente das rifas ilegais.

Flávia, a cunhada de Lucas, atuava principalmente junto à loja Lucca Conceito e na lavagem de capitais, permitindo que Lucas comprasse veículos em seu nome.

Conforme o MP, o círculo familiar de Isabelly também fazia parte da organização criminosa, especialmente com o objetivo de dissimular a propriedade dos veículos, que foram comprados um em nome de sua genitora Isabel e outro em nome de seu ex-companheiro Paulo Vítor.

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