O Amazonas registrou queda de 14,7% nos homicídios em 2024 e figurou entre os estados com maior redução de mortes violentas do país, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Apesar da redução nos indicadores gerais, o estado apresentou aumento de 800% nos assassinatos de crianças de 0 a 4 anos.

Conforme o levantamento, o número de homicídios caiu de 1.555 ocorrências em 2023 para 1.326 casos em 2024. A redução representa 229 mortes violentas a menos em apenas um ano.

Na contramão da queda geral da violência, o Amazonas registrou crescimento expressivo nas mortes violentas de crianças pequenas. O número de vítimas de 0 a 4 anos passou de 3 para 27 casos entre 2023 e 2024, um aumento de 800%.

A taxa de homicídios por 100 mil habitantes também apresentou redução, passando de 38,1 para 32,2 no período, queda de 15,5%. No recorte dos últimos cinco anos, o estado acumula diminuição de 16,7% nos homicídios registrados.

Acima da média nacional

Apesar da melhora recente, o Amazonas segue acima da média nacional de violência letal. Enquanto o estado fechou 2024 com taxa de 32,2 homicídios, a média brasileira ficou em 20,1 mortes no mesmo recorte populacional.

O levantamento também mostra que, no comparativo de longo prazo, o número absoluto de homicídios no Amazonas ainda permanece acima do registrado há dez anos. Em 2014, o estado contabilizou 1.240 mortes violentas. Em 2024, foram 1.326 casos, alta de 6,9% no período.

Já no comparativo dos últimos cinco anos, os indicadores apontam tendência de desaceleração da violência letal no estado. Segundo o Atlas, o Amazonas acumulou redução de 16,7% nos homicídios nesse período.

O estudo destaca ainda que os maiores índices de violência letal continuam concentrados nas regiões Norte e Nordeste do país. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo Atlas, “a geografia da violência letal segue profundamente desigual, com parte importante das UFs do Norte e do Nordeste ainda concentrando níveis elevados”.

Os dados reforçam que, apesar da queda recente nos assassinatos, o estado ainda enfrenta desafios estruturais relacionados à segurança pública, especialmente em áreas urbanas periféricas e regiões marcadas pela atuação do crime organizado e disputas ligadas ao tráfico de drogas.

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