Mais de 60 pessoas morreram pela falta de oxigênio das unidades de saúde em 14 de janeiro do ano passado
Manaus – Janeiro de 2021 ficou marcado na história do Amazonas pela ‘Crise do Oxigênio’ na pandemia da Covid-19. Há um ano, o oxigênio nas unidades de saúde acabava e os internados morriam sufocados nos hospitais. De acordo com o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), mais de 60 pessoas morreram pela falta de oxigênio das unidades de saúde de Manaus.
O coordenador de Tecnologia e Informação Wilson Costa estava internado quando o colapso aconteceu e viveu momentos desesperadores. “Foi uma coisa horrível. Ao todo, vi 11 pessoas morrerem. Ouvia pessoas gritando de dor, pessoas morrendo na minha frente. Pessoas morriam de manhã e eram resgatadas apenas a noite”, disse ele.
“Compramos e alugamos oxigênio quando o do Estado acabou. Ninguém estava preparado. Familiares faziam os furos em mim para por equipamentos, pois a equipe não estava conseguindo. Pessoas sem preparo foram colocadas na linha de frente”, afirmou.
O coordenador ainda vive com os traumas. “Eu lembro até hoje das mortes, foi um impacto forte, as pessoas tentando respirar e não conseguindo. Não pensei que ia morrer. Ao tentar levantar e não conseguir, percebi o quanto estava mal. Tive perda de memória, perdi 24 quilos, acabei adquirindo diabetes”, finalizou.
Segundo Igor Brito, músico que fez parte do grupo de ajuda nos hospitais lembra do colapso. “O que mais me marcou na época foi ver o tamanho do problema que é o desvio de dinheiro na saúde pública. Não temos a imensidão do quanto isso é um malefício e o colapso trouxe isso à tona da pior maneira, custando a vida de várias e várias pessoas que ficaram à mercê de um governo irresponsável, corrupto e negacionista.” disse.
Desde junho de 2020, a fornecedora de oxigênio do Estado avisava sobre a necessidade de alteração no contrato de fornecimento, reforçando a necessidade de mudança no contrato para que fosse contratada oferta maior para atender a demanda do Estado.
Após seis meses do primeiro aviso, os médicos entravam no dilema de ter que escolher quem morria ou quem vivia enquanto administravam e faziam rodízios entre os pacientes com os poucos tanques de oxigênio restantes.
Naquele fatídico 14 de janeiro, os familiares de pessoas internadas viveram uma verdadeira odisseia em busca dos tanques de oxigênio. Enquanto muitos corriam, outros morriam nos hospitais.
Conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Pinto (FVS-RCP), em 14 de janeiro de 2021 haviam 2.205 pacientes internados na rede estadual de saúde, o maior número registrado na pandemia. Uma semana antes, em nota, a Secretária de Estado de Saúde informava que as unidades estavam abastecidas e não havia falta do insumo. Quatro dias depois, o Governo do Amazonas admitia o erro. Mas já era tarde demais.
Profissionais de saúde que preferiram não se identificar, relembraram a dor vivida nesse dia. “Foi feito de tudo pelos profissionais para tentar salvar a vida das pessoas, mas os pacientes não resistiam. Infelizmente, vidas eram perdidas, vidas com história. É algo difícil de mensurar”.
O boletim divulgado dias após ao colapso confirmava a tragédia. Foram 82 mortes por Covid-19 registradas, até então o segundo mais alto desde o começo da pandemia. Manaus nessa época superou os 200 sepultamentos.
O agente de portaria Francisco Arimatéria de Almeida contraiu Covid na época do colapso. Ele contou com a ajuda da família para seguir vivo e acredita que se tivesse ido para um hospital teria falecido. “Foi muito difícil na época, pois foi na fatídica crise do oxigênio, onde muitos morriam. Mas contei com a ajuda da família e conseguimos comprar oxigênio. Não fui para o hospital, mas se fosse provavelmente não estaria aqui contado esse relato”, detalhou ele.
Agora, um ano após o medo, ele volta a estar com Covid. Dessa vez, já vacinado, o cenário é bem diferente. “Agora, um ano depois, fui infectado novamente. Meus sintomas são mínimos, quase assintomático”, disse.
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 06/01/2022
Email:
[email protected]
Endereço:
Av. Djalma Batista, 2010 – Parque 10 de Novembro, Manaus – AM, 69050-900
Telefone:
(92) 3643-5080
👁 1 visualizacoes
- Dia do Servidor Público:Prefeito de Manaus Renato Junior anuncia convocação de 1,5 mil aprovados em concurso (311 visualizacoes)
- Sucuri é encontrada dentro de saco de estopa no bairro Santa Etelvina (287 visualizacoes)
- Temporais previstos para Sul, Sudeste e Centro-Oeste com maiores temperaturas no Norte e Nordeste (204 visualizacoes)
- Acidente aéreo de 1996: queda 24 segundos após decolagem trouxe mudanças na aviação (122 visualizacoes)
- Números sorteados na Mega-Sena são 06, 30, 32, 38, 49 e 57 (67 visualizacoes)









