O cerco contra organizações criminosas especializadas em estelionato por meio de consórcios fraudulentos se intensificou no Amazonas ao longo de 2025. Segundo o delegado Rafael Guevara, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra o Consumidor (Decon-AM), as quadrilhas atuam de forma estruturada, explorando o sonho da casa própria ou do primeiro veículo, com prejuízos que podem chegar a mais de R$ 100 mil por vítima.

“Eles divulgam anúncios atrativos, principalmente no Facebook Marketplace, prometendo crédito fácil e contemplação rápida. A vítima acredita que está comprando um carro ou imóvel, mas, na prática, assina um contrato de consórcio, muitas vezes falso”, explica Guevara.

As vítimas acumulam prejuízos financeiros expressivos. Em novembro, a prisão de Genilson dos Santos, investigado em mais de 100 boletins de ocorrência, evidenciou a dimensão do problema, com perdas que variam entre R$ 10 mil e R$ 100 mil.

“Ele prometia que a vítima seria contemplada em no máximo 30 dias. O cliente efetuava um pagamento de entrada, mas tudo não passava de fraude. Ao ser cobrado, alegava que o cliente havia “entendido errado” o contrato”, contou o titular da Decon-AM.

Falsa venda de carros e ingressos
Outro caso de repercussão ao longo do ano foi da operação “Promessa Vazia”, que prendeu a proprietária da empresa L&P Representações, no bairro Parque Dez. Laura Nascimento da Silva acumulava mais de 12 registros de ocorrência por estelionato de veículos.

“Após o pagamento, era estipulado um prazo para a entrega do veículo, que, no entanto, nunca se concretizava. Os clientes sequer recebiam a devolução dos valores, que chegavam a até R$50 mil”, explicou o delegado.

No dia 29 de dezembro, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) alertou os torcedores sobre a circulação de anúncios falsos relacionados à final da Supercopa Rei nas redes sociais. O local do confronto entre Flamengo e Corinthians, que está previsto para o dia 24 de janeiro, ainda não foi definido oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no entanto, diversas pessoas acessaram os links e efetuaram pagamentos de supostos ingressos antecipados. O caso também está sendo investigado pela Decon-AM.

Golpes de consórcio e falsos corretores fizeram dezenas de vítimas no AM
Consumidor deve ficar alerta para ofertas excessivamente vantajosas – Foto: Divulgação

Sinais de alerta
O delegado ressalta que o modus operandi desses grupos criminosos baseia-se na criação de uma fachada de legalidade: “É comum que as quadrilhas criem empresas fantasmas, utilizem nomes ou logomarcas semelhantes às de administradoras legítimas autorizadas pelo Banco Central, e mudem constantemente de endereço para dificultar as investigações. A criação de sites falsos também é uma artimanha para ludibriar até as vítimas mais atentas”, explicou.

Rafael Guevara alerta ainda para ofertas excessivamente vantajosas: “Não existe contemplação com prazo fixo de 30 ou 60 dias. Se o corretor se recusar a dar o endereço fixo ou exigir pagamentos adiantados em dinheiro antes da assinatura formal, é mais um sinal de alerta. A orientação é ler cada cláusula e confirmar se a administradora possui autorização do Banco Central para operar”, destacou.

Como identificar o golpe?
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Amazonas (CRECI-AM) reforça que parte dos golpes se aproveita da confusão entre consórcio e imobiliária: “Consórcio não é imobiliária. As administradoras precisam de autorização do Banco Central. Valores muito abaixo do mercado são um forte sinal de alerta. Um dos primeiros sinais de que alguém pode ser um falso corretor é a ausência de registro no Creci, se o “profissional” se recusar a fornecer tais informações, fique alerta. Antes de iniciar qualquer negociação, solicite o número e consulte no site oficial”, afirma o presidente Paulo Carvalho.

Confira medidas de segurança básicas:

1. Desconfie de preços muito abaixo do mercado
2. Verifique a documentação no cartório de registro de imóveis
3. Consulte a situação do imóvel na Prefeitura; situação cadastral; Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)
4. Confirme os dados nas concessionárias: Cheque as contas de água e energia elétrica associadas ao endereço.
5. Exija a identificação profissional no CRECI-AM
6. Verifique se a administradora de consórcio é autorizada pelo Banco Central

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