Pessoas na faixa etária de 40 a 49 anos são as maiores doadoras de sangue no Amazonas. Elas representam 29,28% dos doadores, segundo pesquisa feita pela Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam). Jovens de 16 a 29 anos contribuem com 17,58% e estão à frente apenas da faixa de 60 a 69 anos, com 9,2%.
O levantamento mostrou que em segundo lugar aparece a faixa etária de 30 a 39, com 25,59%, seguida da faixa 50-59 anos com 18,26%.
A pesquisa usou como base os dados do sistema HEMOsys, que gerencia os processos do Ciclo do Sangue dentro do hemocentro, onde há 607.900 doadores cadastrados no sistema, e e apontou ainda que jovens entre 16 e 29 ocupam a penúltima posição no ranking de faixas etárias predominantes, com 17,58%, perdendo apenas para a faixa etária de 60 a 69 anos, que corresponde a 9,2% do total de doadores.
Além do fator envelhecimento, o levantamento demonstra ainda que há uma necessidade cada vez maior da fidelização de doadores mais jovens. Isso porque, levando em consideração que idade máxima para doar é 69 anos, esse envelhecimento da população doadora preocupa a instituição, que nota cada vez mais o aumento de inaptidões devido aos problemas de saúde que surgem com a idade.
O diretor-técnico da Fundação Hemoam, Dr. Sérgio Albuquerque, afirma que uma preocupação do hemocentro é a baixa fidelização de doadores mais novos. “Uma pequeníssima faixa da população desenvolve essa consciência de permanecer doando voluntariamente e isso explica o porquê de pessoas mais novas não estarem entre os principais doadores da instituição”, disse.
A médica do doador, Jael Bohadana, vê o avanço da idade como um marcador importante nos números de inaptidão, principalmente entre aqueles que não prezam por uma boa qualidade de vida e possuem uma tendência maior a evoluir para doenças crônicas, principalmente diabetes, hipertensão e a dislipidemia (colesterol e triglicerídeos alto), o que atrapalha no processo de doação de sangue.
Inaptidão Pós-pandemia
Segundo a médica, a Pandemia da Covid-19 acentuou ainda mais o número de doadores que não podem mais doar sangue. “Depois da pandemia, muitas pessoas desenvolveram comorbidades que as impedem de doar, principalmente diabetes e doenças psicológicas. As doenças psicológicas quando requerem acompanhamento psiquiátrico e uso de medicamento podem gerar impedimento definitivo, então perdemos muitos doadores devido à ansiedade, depressão e manias desenvolvidas pós-pandemia”, afirmou.
A médica destaca que o cuidado e a persistência são fundamentais para as pessoas que querem adotar estilo de vida saudável para doações regulares. “Indico para as pessoas o cuidado com a alimentação, a saúde física e mental. Se você quer ajudar o próximo, você precisa se ajudar antes. Fique bem e esteja saudável para salvar vidas”, finaliza.
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