Um empresário de 55 anos, que não teve a identidade divulgada, foi preso, nessa terça-feira (02/06), acusado de montar um esquema de aliciamento, estupro, exploração e importunação sexual contra pelo menos três adolescentes do sexo masculino, com idades entre 15 e 17 anos. De acordo com as investigações da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o homem utilizava da própria empresa, de telas para janelas de apartamentos, como fachada para atrair jovens em situação de vulnerabilidade social na capital.

De acordo com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o modus operandi do suspeito consistia em recrutar os menores com falsas promessas de inserção no mercado de trabalho. Uma vez estabelecido o contato, ele passava a oferecer dinheiro, aparelhos celulares e até promessas de viagens ao exterior para induzir as vítimas a frequentarem seu apartamento.

Nesses local, os abusos eram consumados e gravados em vídeo pelo empresário, sem o consentimento dos jovens. As mídias digitais passavam então a ser utilizadas como moeda de coação psicológica para perpetuar a submissão dos adolescentes, que também eram alvos de agressões físicas e ameaças de morte.

O delegado titular da Depca, Jeferson Vicente Oliveira, revelou a frieza com que o criminoso cobrava a servidão das vítimas.

“No momento do pagamento, ele dizia: ‘Eu não quero pagamento em dinheiro, eu quero em favores. Você é obrigado a me pagar’. Depois de efetivar os estupros, filmava os atos e ameaçava divulgar as imagens caso as vítimas não repetissem as condutas”, afirmou o delegado.

O esquema criminoso, que vinha sendo executado de forma continuada de dezembro de 2023 até maio deste ano, começou a desmoronar quando um dos rapazes, acuado pelas retaliações, decidiu quebrar o silêncio.

“Tomado pelo pânico de ver sua intimidade exposta, o jovem relatou os crimes à sua mãe, que formalizou a denúncia na sede da Depca. As chantagem paralisavam os alvos. Ele dizia o tempo todo: ‘Se você não se relacionar comigo novamente, eu vou divulgar suas imagens para seus amigos e para sua família’. O rapaz, por medo, acabou confessando para a mãe, o que levou à prisão preventiva desse indivíduo”, detalhou o delegado.

Apreensões
Durante o cumprimento do mandado de prisão, os investigadores apreenderam três aparelhos celulares em posse do acusado. Os dispositivos eletrônicos serão submetidos à extração de dados e perícia, onde a equipe de investigação crê que localizará um vasto acervo de arquivos contendo cenas de nudez e abusos sexuais.

O titular da Depca alertou que o número de pessoas lesadas pelas ações do empresário pode ser significativamente maior, diante do comportamento identificado no histórico do agressor.

“Os alvos desses abusadores normalmente são pessoas humildes economicamente. Ele oferecia dinheiro e até viagens ao exterior para atrair os adolescentes. Quando conseguia a aproximação, iniciava as importunações sexuais. Até o momento, três vítimas foram identificadas, mas outras podem surgir, devido ao perfil de predador sexual do acusado”, afirma o delegado.

As buscas e oitivas da PC-AM permanecem ativas na tentativa de localizar e acolher formalmente uma quarta vítima que teria sido atacada sob as mesmas circunstâncias no período apontado.

O suspeito foi conduzido à carceragem, passou pelos procedimentos de triagem e foi colocado à disposição da Justiça do Amazonas para responder pelos crimes. Ele será indiciados pelos crimes de estupro qualificado, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de adolescente, produção de pornografia infantojuvenil (registro de cena de nudez ou ato sexual envolvendo menor) e importunação sexual.

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