O avanço de medicamentos que atuam no controle do apetite começa a produzir efeitos que ultrapassam o campo da saúde. Mudanças nos hábitos de consumo já são percebidas em setores como alimentação, nutrição e serviços, levando empresas a repensarem formatos, porções e experiências para atender a um novo perfil de cliente.

A mudança no padrão alimentar é uma das mais perceptíveis. Quem faz uso desses medicamentos relata alterações tanto na redução da quantidade de alimentos quanto na frequência das refeições fora de casa.

Eliza Dinely, de 25 anos, conta que passou a sair menos para comer e beber após iniciar o uso do Mounjaro. “Agora saio menos pra comer e beber, e quando vou, acabo consumindo bem menos”, relata.

Especialistas destacam que a mudança no consumo não acontece apenas por decisão consciente, mas por alterações fisiológicas provocadas pelos medicamentos.

“As canetas emagrecedoras não são apenas mais uma moda: elas mudaram a biologia do apetite. O que antes era uma batalha quase exclusivamente comportamental, hoje conta com um aliado farmacológico potente”, explica a nutricionista Manuela Marinho.

Setor de alimentação
Esse novo padrão já começa a repercutir no setor de alimentação. Em diferentes regiões do país, bares e restaurantes testam alternativas como porções menores, cardápios mais flexíveis e ajustes na oferta de bebidas e sobremesas.

Em Manaus, o bar e restaurante nordestino “Seu Luiz”, localizado bairro Nossa Senhora das Graças, lançou a “Quinta do Mounjaro” com o rodízio de petiscos por R$ 59. “Petiscos na medida certa pra quem está no Mounjaro, sem abrir mão do sabor, da mesa cheia de amigos e da boa conversa”, diz trecho da publicação.

Ao Toda Hora, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM) avalia que o momento representa uma oportunidade de adaptação do setor. Segundo a entidade, os primeiros impactos observados envolvem mudanças naturais na dinâmica do consumo.

Casais passaram a dividir pratos com mais frequência, o consumo de bebidas alcoólicas diminuiu em algumas ocasiões e as sobremesas deixaram de ser individuais, tornando-se cada vez mais compartilhadas. Esses ajustes, segundo a Abrasel, não significam necessariamente perda de faturamento, mas uma mudança na forma de consumir.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, o impacto não precisa ser encarado como negativo. “Não significa que as pessoas estejam deixando de consumir nos restaurantes, mas sim mudando a forma como consomem. Em muitos casos, o cliente reduz a quantidade do prato principal, mas opta por uma sobremesa, uma bebida de maior valor agregado ou uma experiência mais sofisticada”, avalia.

Nutrição passa por mudanças
Na área da saúde, o avanço das canetas emagrecedoras também provoca uma reconfiguração. De acordo com a nutricionista Manuela Marinho, a nutrição vive “uma corrida pela especialização”. A demanda por profissionais que compreendam a interface entre medicamento e alimentação cresce rapidamente, exigindo protocolos específicos para adaptação gastrointestinal, manutenção da massa magra e monitoramento clínico constante.

Para a nutricionista, o movimento de restaurantes que passam a pensar em cardápios adaptados é natural e necessário, desde que feito com cuidado. Assim como ocorreu com pacientes bariátricos, esse público apresenta necessidades específicas.

Restaurantes apostam no público
Restaurantes de diferentes localidades do país investem em promoções e condições para usuários das canetas. O restaurante Santo Mar, em São Paulo, possui uma promoção semanal “Quarta do Monjaro e do Bariátrico”, onde oferecem 30% de desconto no rodízio de frutos do mar. Já em Pernambuco, o restaurante de comida oriental ‘Ozaka’ oferece a opção de rodízio com preço reduzido.

👁 6 visualizacoes

PUBLICIDADE