Manaus vive o crescimento da chamada cultura ‘wellness’, termo em inglês que define um estilo de vida voltado ao equilíbrio entre saúde física, mental, emocional e social. Mais do que academia e dieta, o conceito tem ganhado novas formas na capital amazonense, especialmente por meio de clubes criados por mulheres e para mulheres, que unem autocuidado, criatividade e convivência.

A proposta vai além da busca por padrões estéticos ou performance. Em vez disso, prioriza experiências coletivas, escuta, diversão e acolhimento, elementos que têm atraído mulheres de diferentes idades em busca de conexão e pertencimento.

Conexão feminina como prioridade
Foi a partir dessa necessidade que nasceu o Ourora Clube, idealizado pelas sócias Nayá Costa e Clara Canté. A inspiração veio de iniciativas semelhantes em outras cidades, como São Paulo.

Segundo Nayá, a ideia surgiu da própria rotina intensa que ela e a sócia enfrentavam. “Percebemos que não tínhamos tempo para nos divertir ou conhecer novas pessoas. O clube nasceu dessa necessidade de criar um espaço para experimentar coisas novas e fortalecer a conexão feminina”, comenta.

Hoje, o clube aceita participantes a partir dos 18 anos. Além dos encontros presenciais, o grupo mantém uma rede ativa no WhatsApp, onde as participantes trocam experiências e apoio cotidiano.

Para Clara Canté, o diferencial está na valorização da criatividade feminina. “Quando a mulher se conecta com a criatividade dela, ela se conecta consigo mesma. Isso transforma de dentro para fora”, afirma a terapeuta.

Oficinas e debates
Com proposta semelhante, o Girls Club AM, idealizado por Bárbara Tassinari, também reúne mulheres em oficinas e rodas de conversa. A programação se intensificou no mês dedicado às mulheres, com palestras online sobre educação financeira e conversas com nutricionista abordando ansiedade, alimentação e culpa.

“Um mês inteiro de encontros, trocas e aprendizados para fortalecer mulheres em todas as áreas da vida, da mente ao bolso, do corpo às emoções”, pontua a idealizadora.

Crescimento e impactos
O crescimento dos clubes acompanha um movimento global. A indústria mundial do bem-estar movimentou US$ 6,3 trilhões em 2023, cerca de 6% do PIB global, segundo o Global Wellness Economy Monitor.

Em Manaus, o reflexo também é percebido no universo fitness. O educador físico Vinicius Santos afirma que, no pós-pandemia da Covid-19, houve aumento significativo na busca por atividades físicas, mas com um novo perfil de consumidor, que busca além da construção de músculo, a busca pelos benefícios psicológicos e emocionais proporcionados pelos treinos. Além disso, ele aponta que as pessoas buscam realizar os exercícios com mais confiança.

“Muita gente quer entrar no movimento fitness, mas sente insegurança ou medo de se lesionar. Isso aumentou a procura por acompanhamento personalizado, alguém que oriente e dê segurança”, avalia.

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