As ações de proteção animal no Amazonas registraram, entre março e dezembro de 2025, 1.237 atendimentos, 120 resgates e cerca de 700 denúncias de maus-tratos, segundo a Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet). A maioria das ocorrências envolve crimes como abandono e agressões, além da atuação de canis clandestinos, sendo dois deles que resultaram no resgate de quase 50 animais mantidos em locais insalubres.
Em Manaus, mais de 10 pessoas foram autuadas por maus-tratos, com apoio policial, segundo a Sepet. Entre os episódios mais recentes está o de Mauro Costa, preso por zoofilia, após gravar abuso contra uma cadela, que morreu dias depois. Ele confessou o crime em depoimento da delegacia e segue preso.
No dia 2 de janeiro, uma cadela foi brutalmente atacada por golpes de chave de fenda, no bairro Santo Antônio, zona Oeste de Manaus. O objeto ficou preso ao corpo do animal, que precisou passar por uma cirurgia de emergência no Hospital Veterinário, após ser socorrida por moradores da região.
Em novembro, operações desmantelaram canis clandestinos no Jorge Teixeira e no bairro Flores, onde mais de 40 animais foram resgatados; alguns estavam mortos e outros em estado crítico.
Apesar dos esforços para garantir a proteção animal, a secretaria destaca que presta apenas assistência emergencial. Após o resgate, os animais são encaminhados ao Hospital Público Veterinário, onde fazem os exames necessários e, em seguida, são encaminhados ao lar temporário até estarem aptos para adoção responsável.
“Ao longo do ano, ampliamos os serviços, intensificamos campanhas de controle populacional e aumentamos o alcance do Castramóvel, além da inauguração do Hospital Público Veterinário. Somente entre outubro e dezembro de 2025, o hospital realizou 113.059 procedimentos”, afirma a titular da Sepet, Joana Darc.
Fiscalização
Para 2026, a meta é ampliar a fiscalização e as campanhas educativas. No entanto, a delegada Juliana Viga, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (DEMA), confirma o aumento das ocorrências e alerta que a cada cinco denúncias, uma é de abandono.
Entre as ocorrências de maior mobilização policial estão as de combate aos canis clandestinos. “O que mais preocupa hoje em dia é o avanço de canis clandestinos e venda ilegal de animais. São lugares de maus-tratos graves em ambiente insalubre”, ressaltou Juliana Viga.
A delegada alerta ainda para a ameaça à saúde pública, citando doenças como a esporotricose.
“Além da crueldade, esses espaços representam uma ameaça direta à saúde pública. Doenças graves como a esporotricose se espalham facilmente em locais sem higiene e podem infectar humanos. Se um animal estiver doente, por exemplo, há risco de proliferação de doenças como a esporotricose, se não houver o cuidado com relação aos gatos. Então, pode haver, sim, uma disseminação de doenças”, ressaltou a titular da DEMA.
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