Assassinatos de crianças ainda são altos no Amazonas

O número de assassinato de crianças e adolescentes no Amazonas segue alto. De acordo com a Secretaria de Segurança (SSP), até setembro deste ano, foram registradas 53 mortes de vítimas com essas faixas etárias.  A vice-coordenadora dos Conselheiros Tutelares de Manaus, Ângela Santos, destacou que é alarmante as denúncias de espancamento, que são recordistas de casos que resultam em morte.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública deste ano mostram que em 2020, um total de 85 crianças e adolescentes foram mortas no Amazonas. Deste total, seis tinham idades entre 0 a 11 anos e os demais 79 estavam na faixa etária de 12 a 17 anos.

Em 2021, esse número saltou para 101 casos, dos quais seis tinham entre 0 a 11 anos e 95, idades entre 12 a 17 anos. Conforme a SSP, este ano, até o mês de setembro, em todo o Estado, 53 vítimas com essa faixa etária foram assassinadas.

Casos

Uma delas foi Milena Laís Almeida de Araújo. A criança morreu no último dia 24, na Compensa, após ser atingida com um tiro na cabeça. De acordo com a Polícia Militar (PM), um suspeito chegou ao local para assassinar Beatriz da Silva Franco, 22. A menina estava no colo da mãe, quando foi atingida. A mãe e uma outra mulher, também, ficaram feridas.

Uma mulher está presa preventivamente pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) por suspeita de envolvimento no crime. As informações sobre a motivação ainda não foram divulgadas pela Polícia Civil (PC).

Mas conforme os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a maioria dos crimes tendo crianças e adolescentes como vítima ocorre dentro de casa. Em Manaus isso ocorreu com Jennifer Vitória Magno Soares, que tinha 15 anos. A jovem foi morta pelo pai adotivo a facadas, em agosto, dentro da residência dele, na Comunidade Santa Inês, na zona Leste de Manaus.

À polícia, após ser preso, o pai Carlos Alberto Paula Soares, 36, afirmou ter praticado o crime para se vingar da mãe da menina, após o término do relacionamento do casal.

Em maio deste ano, Lorenna Ferreira Rodrigues, 2, foi encontrada morta dentro de uma mala enterrada no quintal da casa dos avós maternos, no município de Autazes, (a 113 quilômetros de Manaus). Conforme a Polícia Civil (PC), a menina foi morta por agressão física e as agressões foram praticadas pelos tios da menina, que viajou a trabalho e deixou a filha aos cuidados da tia, que foi presa pelo crime.

Agressões

A vice-coordenadora geral dos Conselheiros de Manaus, Ângela Santos informou que é grande o número de denúncias de agressão que chegam por mês às unidades.

“No caso de espancamento, realmente, o índice é muito grande. Nós recebemos cerca de 20, 30 denúncias mensais. E muitas vezes esses espancamentos levam à morte como tem acontecido. Às vezes, os pais têm esse pensamento de que o filho fez algo errado tem que bater. Não é só dessa forma que você tem de educar o seu filho. Existem outras formas de educação e linguagem que podemos usar, pode privar de alguma regalia. Não é o bater que serve como orientação para seu filho”, declarou.

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