Se René Descartes dizia “penso, logo existo”, costumo dizer que “vivo, porque consigo expor o meu pensamento”
Se René Descartes dizia “penso, logo existo”, costumo dizer que “vivo, porque consigo expor o meu pensamento”.
Existir e viver são verbos bem distintos.
Viver é o ato de se relacionar com o mundo por meio da exposição do pensamento. Somos livres para pensar, mas não somos livres para expor o nosso pensamento.
Posso pensar as piores coisas sobre alguém, mas preciso ter muito cuidado na hora de expor esse pensamento, para não ofender a honra alheia.
A boa reputação pode ser destruída em segundos nas redes sociais mediante a exposição de um pensamento.
Por isso, o direito não se preocupa com o pensamento e sim com a exposição do pensamento.
Os exemplos são muitos. Mas citarei um.
Certo jornalista foi condenado a indenizar a Juíza Ludmila Lins Grilo por chamá-la de “jumenta”.
Esse jornalista até poderia pensar que a Juíza seria uma “jumenta” mesmo, mas o problema foi o estrago causado pela exposição desse pensamento.
Esse é o motivo pelo qual acredito que não existe liberdade.
Confesso que desisti de estudar sobre a liberdade.
Como estudar o que não existe?
Já nasci dentro de um emaranhado de regras que nem sei se um dia cheguei a ser livre.
Certa vez cogitei que liberdade seria o mundo sem regras, mas acabei prisioneiro de meus próprios instintos.
Talvez a liberdade não simbolize um mundo sem regras.
Talvez a liberdade …
Talvez ….
 
*Advogado militante, professor de Direito Constitucional, Penal e Processo Penal. Atua como consultor político e trabalha para diversas empresas no Brasil, entre elas o Sindicato dos Médicos do Amazonas.
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 16/12/2021
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