O Rio Negro iniciou o processo de vazante em Manaus. Desde o dia 9 de julho, vem sendo registrada a descida constante do nível das águas, de acordo com a medição do Porto de Manaus. Nesta sexta-feira (18), o rio atingiu 28,87 metros, uma redução de 18 centímetros em relação ao pico da cheia, registrado há uma semana, quando alcançou 29,05 metros.

No interior, as calhas do Rio Solimões, Juruá, Purus e Madeira também iniciam seus processos de vazante, com o cenário da cheia ainda impactando fortemente 42 municípios em situação de emergência.

“Foi uma grande cheia, com cotas que superaram em boas partes monitoradas a cota de inundação severa, e o que a gente tem hoje em Manaus é realmente o indício de que foi iniciado o processo de vazante”, afirmou o pesquisador André Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB.

Mesmo com o recuo, diversos bairros de Manaus, como o Centro e áreas da zona Sul, permanecem alagados em alguns pontos. A Defesa Civil do Estado alerta que o cenário ainda exige atenção devido aos impactos sociais e estruturais deixados pelas enchentes.

“É natural, nesses primeiros dias, o nível do rio variar alguns centímetros, podendo ainda subir nos próximos dias. Mas, sim, há a indicação de estabilização e fim do processo de enchente na capital. Como podemos observar no acompanhamento do nível do rio, desde o dia 5 de julho houve estabilização do nível da água em Manaus, que se repetiu até o dia 8. Então, começou a baixar nos dias 9 e 10, com um acúmulo de descida de 4 centímetros. Esperamos que continue esse processo de vazante para que não cause mais transtornos à população”, ressaltou o Chefe de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Amazonas, tenente Charlis Barroso.

Seca mais amena

As autoridades já se preparam para o período de estiagem. Durante o evento “Pré-Seca: Análise e Prognóstico Hidrometeorológico 2025”, realizado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), no fim de junho, especialistas indicaram expectativa de uma estiagem mais branda este ano, em comparação com 2023 e 2022.

“Em um primeiro momento, os dados dos meses iniciais apresentam condição melhor de precipitações em relação às de 2024, mas devemos manter um acompanhamento daqui para frente. Isso vai prevenir danos à mobilidade, abastecimento e saúde pública, além de minimizar os impactos da seca nas áreas urbanas e ribeirinhas”, afirmou Flávio Augusto Altieri, analista em ciência e tecnologia do Censipam.

Para enfrentar a transição para o período de seca, tanto o Governo do Amazonas quanto a Prefeitura de Manaus intensificam as ações de ajuda humanitária. Já foram enviadas 580 toneladas em cestas básicas, 2.450 caixas d’água, 57 mil copos de água potável, além de kits purificadores e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para 18 municípios, pelo governo estadual.

Além disso, 72 kits de medicamentos foram destinados a cidades como Apuí, Boca do Acre e Manicoré, beneficiando mais de 35 mil pessoas. Manicoré recebeu uma nova usina de oxigênio e Apuí foi contemplado com cilindros de oxigênio para reserva de segurança.

Calha Rio Negro

Cota mais recente
28,87 metros
18/07/2025

Cota Máxima
30,02 metros
16/06/2021

Cota Mínima
12,11 metros
09/10/2024

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