Um homem indígena de 50 anos, pertencente à etnia Apurinã, foi preso nessa quarta-feira (20/05) como autor de crimes sexuais ao longo de décadas contra a própria filha, que hoje tem 33 anos. Os abusos ocorreram na comunidade indígena Bacuri, região de mata isolada no território de Beruri, próximo ao município de Tapauá (a 449 quilômetros de Manaus), e resultaram no nascimento de uma “filha-neta” do indígena, que também se tornou vítima.

A investigação começou no fim de 2025, quando a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 80º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Beruri, recebeu a denúncia de que o homem vivia maritalmente com a própria neta, também sua filha biológica. Segundo o delegado titular do 80º DIP, Jailton Santos, foi uma equipe de saúde que tentava realizar um atendimento médico da menor quem constatou a gravidez e acionou a polícia.

“Essa é uma rede de violência familiar de gerações. No passado, o homem estuprou sistematicamente a própria filha, que hoje tem 33 anos. Desses abusos, nasceu uma menina. Há dois anos, após o falecimento da avó materna da criança, o suspeito recolheu a menor, que tinha apenas 12 anos na época, e passou a manter uma relação conjugal forçada com ela. Essa menina viva em isolamento imposto pelo autor. Agora com 13 anos, ela também engravidou dele”, contou o delegado responsável pela prisão.

Fuga para a mata
Quando a polícia tomou conhecimento do caso, a adolescente já estava no sexto mês de gestação. A primeira investida policial para tentar prender o agressor e resgatar a grávida ocorreu em dezembro do ano passado. Na ocasião, equipes da Polícia Civil e do Grupo de Polícia Militar (GPM) utilizaram embarcações para acessar a comunidade rural, mas o agressor percebeu a aproximação e fugiu para a mata densa, levando a adolescente.

Diante do impasse e do risco de morte para a jovem, que tinha gravidez de risco, os agentes iniciaram uma negociação com o núcleo familiar materno. A intervenção dos outros parentes indígenas permitiu a retirada da jovem do local e a sua transferência para o hospital de Beruri, onde ela pôde receber tratamento pré-natal e dar à luz em ambiente hospitalar seguro.

Após denúncias de que o suspeito havia saído de seu esconderijo e retornado à comunidade Bacuri, uma nova incursão foi deflagrada nessa quarta. A captura final do indígena contou com o suporte logístico do GPM integrados à equipe da Operação Segurança Presente.

“Com a vítima em segurança, representamos pela prisão preventiva do acusado. Ele passou a ser procurado em comunidades indígenas do interior de Beruri. Na última quarta-feira, uma nova equipe foi enviada e cumpriu o mandado”, detalgou o delegado Jailton Santos.

O homem foi levado de lancha para a delegacia, passou pelos procedimentos cabíveis e ficará detido à disposição da Justiça em uma cela isolada. Ele responderá criminalmente por estupro de vulnerável e cárcere privado.

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