A multinacional norueguesa Norsk Hydro se tonou a indústria mais integrada da Amazônia. Tendo se instalado no Pará em 2000, comprando da Vale uma participação de 25% na Alunorte. Em 2011 a empresa passou a controlar todas as etapas da produção de alumínio, com operações integradas de mineração de bauxita, refinaria e fundição de alumínio.

Tornou-se proprietária única da Alunorte, que transformou na maior produtora de alumina do mundo, fora da China. Tem 51% da Albras, a maior produtora de alumínio primário do Brasil. Controla integralmente uma mina de bauxita e é a maior acionista de outra (as duas têm das maiores jazidas do mundo), dispondo de minério suficiente para atender todas as suas necessidades e ainda vender a clientes.

Agora, a Hydro acelera a sua presença na área de energia, seguindo duas diretrizes: reforçar a posição em alumínio de baixo carbono (através da redução de gases de efeito estufa), e diversificar e crescer em reciclagem e energia renovável, substituindo a fonte tradicional, a hidroeletricidade. Deverá garantir progressivamente energia de outras fontes para as suas plantas de alumínio (o produto industrial que mais consome energia) e alumina, e também para a mineração de bauxita.

Sua subsidiária, a Hydro Rein participa (com 33,3%) de projeto de energia solar de 435 megawatts (10% da energia firme de Belo Monte, a maior hidrelétrica do mundo, no rio Xingu, e de Tucuruí, ambas no Pará), em Boa Sorte, em Porecatu, Minas Gerais, com investimento de 320 milhões de dólares. A construção deverá ser iniciada no quarto trimestre deste ano e as operações, no quarto trimestre de 2023.

A fábrica de alumínio primário Albras assinou contrato com Boa Sorte, para o fornecimento anual de aproximadamente 93 MW de energia entre os anos de 2025 e 2044. O contrato, com preços em USD, representa 90% da produção de energia esperada na usina Boa Sorte e atende a 12% do consumo anual de energia da Albras, superior à demanda dos 1,5 milhão de habitantes de Belém, a 60 quilômetros de distância).

Mais recentemente, a Alunorte assinou um contrato de compra de energia de 20 anos, em dólares, com um consórcio, no qual a Hydro Rein está associada à Equinor e à Scatec. A energia virá do complexo solar fotovoltaico Mendubim, que destinará 60% da geração para a refinaria de alumina da Alunorte. As obras deverão começar até o final deste ano para entrar em operação no último trimestre de 2023. O investimento estimado é de 450 milhões de dólares, para instalar os parques, com capacidade total de 531 megawatts, na cidade de Assu, no Rio Grande do Norte.

No primeiro trimestre, a Alunorte firmou um empréstimo e contrato swap de juros de 200 milhões de dólares para financiar o projeto de troca de combustível. “O preço do empréstimo e do swap estão ligados ao desempenho da Alunorte em sua meta de redução de emissões de gás de efeito estufa. Este é o primeiro swap ligado a sustentabilidade a ser executado no mercado brasileiro”, informou a Hydro em seu comunicado, no final do primeiro semestre.

Assim, multinacional norueguesa integra os seus empreendimentos minerais e energéticos, tornando-se independente de outros fornecedores, com a utilização de fontes alternativas à energia da hidrelétrica de Tucuruí, a quarta maior do mundo, que está a 350 quilômetros do polo de alumínio da Hydro, em Barcarena.


A imagem que abre este artigo é de autoria de Cícero Pedrosa Neto e mostra a planta da Hydro-Alunorte em Barcarena.


Além de colaborar com a agência Amazônia Real, Lúcio Flávio Pinto mantém quatro blogs, que podem ser consultados gratuitamente nos seguintes endereços:

* lucioflaviopinto.wordpress.com – acompanhamento sintonizado no dia a dia.

* valeqvale.wordpress.com – inteiramente dedicado à maior mineradora do país, dona de Carajás, a maior província mineral do mundo.

* amazoniahj.wordpress.com – uma enciclopédia da Amazônia contemporânea, já com centenas de verbetes, num banco de dados único, sem igual.

* cabanagem180.wordpress.com – documentos e análises sobre a maior rebelião popular da história do Brasil.

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