Petrobras anuncia descoberta de petróleo em águas ainda mais profundas na Foz do Amazonas
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (2), em coletiva de imprensa, que a nova descoberta de petróleo no poço Morpho, na costa do Amapá, revelou um óleo de “boa qualidade”.
“Temos óleo de boa qualidade, como vem sendo de praxe no poço Morpho”, afirmou Chambriard. “Tal como anunciamos na descoberta de agosto e como estou mostrando para vocês neste tubinho”, acrescentou, exibindo uma amostra da substância coletada há pouco mais de um mês.
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A empresa já havia encontrado petróleo no mesmo poço, em agosto. Agora, ao avançar a perfuração para uma área mais profunda, identificou uma nova zona com presença de petróleo. A descoberta foi confirmada por análises de rochas e de amostras de fluidos coletadas durante a perfuração.
O poço Morpho fica no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa de Oiapoque (AP). A área integra a chamada Margem Equatorial, faixa do litoral brasileiro considerada uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás.
Infográfico mostra o local em que a Petrobras atua para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas.
Arte/g1
Chambriard explicou que um mesmo poço pode produzir petróleo em mais de uma camada de solo e que, conforme a perfuração avança, podem ser encontradas novas camadas, com substâncias de características distintas. “Elas podem ter petróleo, inclusive de qualidades diferentes”, disse.
“O que nós temos no poço Morpho é algo semelhante a isso. Nós temos, até agora, petróleo em duas profundidades diferentes”, afirmou Chambriard, referindo-se à nova descoberta e à camada encontrada em agosto.
A executiva não descartou novas descobertas no poço. “Ainda há resultados possíveis de acontecer. Eu não posso dizer que não vai haver e também não posso dizer que vai haver”, declarou.
A nova área com petróleo identificada pela Petrobras fica em águas ultraprofundas, sob uma lâmina d’água de cerca de 2,9 quilômetros de profundidade. O achado, porém, ainda não garante a extração do recurso. A empresa terá de avaliar o volume existente e a viabilidade comercial da exploração.
A presidente da empresa afirmou que informações técnicas sobre profundidade, espessura dos reservatórios e características do óleo permanecem sob sigilo.
“Profundidade, API do óleo [indicador da qualidade e da densidade do petróleo] e espessura do reservatório estão protegidos por sigilo regulatório pelos próximos dois anos”, declarou Chambriard.
Ainda segundo a executiva, a previsão é que os trabalhos no Morpho sigam até o fim deste mês. “Acreditamos que, até o final de outubro, vamos desmobilizar a sonda [de perfuração] e mandar para o litoral do Rio Grande do Norte, onde ela vai perfurar o prospecto Mãe de Ouro”, afirmou.
A Petrobras obteve em março deste ano a renovação da licença de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a perfuração do Mãe de Ouro, que fica em águas profundas na Bacia Potiguar.
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros de 2024
Rafa Pereira / Petrobras
Exploração pela Petrobras
A exploração da área é estratégica para a petroleira porque a produção do pré-sal, hoje uma das principais fontes de petróleo da companhia, deve atingir o pico entre 2034 e 2035 e começar a recuar depois disso. Assim, a busca por novas fronteiras exploratórias pode repor parte da produção futura.
A Petrobras confirmou a descoberta no poço Morpho em agosto, após identificar indícios de hidrocarbonetos durante a perfuração. Na ocasião, a empresa ainda precisava realizar análises adicionais para confirmar a presença de petróleo e avaliar o potencial da área.
A próxima etapa é determinar o tamanho da possível reserva. Para isso, a Petrobras precisa concluir a perfuração e realizar estudos adicionais para estimar quanto petróleo existe no local e se a exploração comercial é viável.
O avanço da exploração também depende do licenciamento ambiental. A Petrobras pediu autorização ao Ibama para perfurar novos poços na Margem Equatorial.
No bloco FZA-M-59, o processo prevê um poço principal e três contingentes. A licença concedida em outubro de 2025 autoriza a perfuração do Morpho, enquanto os demais ainda dependem da análise do órgão ambiental.
A exploração da região é alvo de debate ambiental. Cientistas, organizações não governamentais e entidades ambientalistas apontam possíveis impactos sobre ecossistemas como recifes e manguezais, além de riscos para a pesca artesanal e comunidades tradicionais.
Também há debate sobre como novos investimentos em petróleo se relacionam com a transição para fontes de energia com menor emissão de carbono.
Assim, embora a descoberta amplie as perspectivas de novas reservas para a Petrobras, o avanço da exploração na região continua condicionado às avaliações técnicas e ao cumprimento das exigências do licenciamento ambiental.
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