Festival de Parintins é motor de renda para 46% dos trabalhadores locais

O Festival de Parintins segue consolidado não apenas como um dos maiores símbolos culturais da Amazônia, mas também como uma potência econômica capaz de movimentar renda, consumo, turismo e oportunidades de trabalho em toda a região Norte. Um estudo inédito feito pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revelou que 46% dos moradores locais pretendem trabalhar de forma direta ou indireta durante as festividades na Ilha de Tupinabarana.

De acordo com o levantamento, a principal motivação para ingressar no mercado temporário do festival é a complementação de renda, citada por 36% dos entrevistados. Já 34% querem “limpar o nome” ou reorganizar a vida financeira e 28% pretendem construir uma renda extra. Outros 28% disseram que o objetivo é quitar dívidas, enquanto 23% desejam alcançar metas financeiras específicas.

A pesquisa, feita em âmbito nacional com foco especial nas regiões Norte e Nordeste, analisou três pilares principais: geração de renda, consumo durante o festival e impactos econômicos regionais. Os dados mostram que o evento vai muito além dos três dias de apresentações no Bumbódromo e influencia diretamente o orçamento de milhares de famílias.

“Para 40% dos trabalhadores da região, o dinheiro arrecadado na semana do boi-bumbá é considerado essencial para cobrir as despesas cotidianas da casa ao longo do ano. Além disso, 56% dos entrevistados possuem a expectativa de faturar acima de R$ 1 mil mensais com as vendas e serviços prestados no período”, explica Aline Vieira, especialista Serasa em educação financeira.

Comércio
O levantamento aponta ainda que o comércio alimentício lidera as fontes de renda extra durante o período, concentrando 31% das atividades econômicas ligadas ao festival. Em seguida, aparecem os trabalhos temporários na cidade, com 25%, e os empregos temporários dentro do próprio evento, com 23%. A venda de artesanato e produtos culturais representa 13% da renda complementar, enquanto as atividades artísticas e culturais correspondem a 11%.

Outro dado que chamou atenção foi o perfil dos trabalhadores temporários: 66% afirmaram estar vivendo a primeira experiência profissional ligada ao festival. Para a representante financeira da Serasa, o cenário demonstra como o evento se tornou uma oportunidade real de inclusão econômica.

“A força econômica do festival também aparece na dependência financeira que muitas famílias têm da renda gerada no período. Quatro em cada dez entrevistados disseram que, sem esse dinheiro extra, despesas essenciais seriam comprometidas. Além disso, 53% acreditam que a renda mensal pode aumentar mais de 40% com a atuação de novos empreendedores, especialmente trabalhadores informais e pequenos comerciantes”, explicou.

Cadeia Econômica
Aline destacou ainda que o Festival de Parintins movimenta toda a cadeia econômica da Amazônia, ultrapassando os limites da ilha Tupinambarana. “Manaus funciona como porta de entrada da Amazônia. O impacto chega à aviação, ao turismo, à hotelaria, ao transporte e ao comércio regional. É uma economia que movimenta o ano inteiro”, afirmou.

Segundo ela, para os artesãos locais, o festival representa mais que vendas. “É uma oportunidade de visibilidade, valorização cultural e estabilidade financeira. Produtos ligados aos bois-bumbás já ultrapassam as fronteiras de Parintins e ganham espaço em outras regiões do país.

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