Vivendo um momento inédito no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), com mulheres ocupando os principais cargos de liderança, a presidente da corte, desembargadora Carla Reis, encerra o primeiro ano de seu biênio com balanço positivo. Segundo ela, mais de 50 mil atendimentos foram realizados na capital e no interior.
Em entrevista ao Toda Hora, Carla Reis destacou a importância da presença feminina em cargos de poder, os avanços na modernização do Tribunal e o enfrentamento às fraudes à cota de gênero. A presidente também revelou a criação de uma comissão para combater a violência de gênero, especialmente no período de registro de candidaturas, e falou sobre a preparação do TRE-AM para as eleições gerais de 2026, ressaltando o papel da sociedade no fortalecimento da democracia.
TH: A senhora assumiu a presidência do TRE-AM em janeiro de 2025 ao lado da desembargadora Nélia Caminha. Que mudanças práticas e simbólicas essa condução feminina trouxe para o Tribunal?
Carla Reis: Ao assumir a presidência do TRE-AM, ao lado da desembargadora Nélia Caminha Jorge, tivemos plena consciência do significado histórico desse momento e da responsabilidade que ele carrega. A condução da Corte reafirma que os espaços de poder e decisão também pertencem às mulheres, não por concessão, mas por meritocracia. No plano prático, essa liderança tem se refletido em uma gestão aberta ao diálogo, à escuta e à construção coletiva das decisões. Buscamos, ainda, fortalecer políticas internas de equidade, valorizar o trabalho das equipes e promover um ambiente institucional baseado no respeito e na cooperação.
TH: Qual o balanço a senhora faz do primeiro ano deste biênio?
CR: Foram 642 processos julgados, abrangendo matérias diversas, com destaque para o volume expressivo de ações relacionadas à fraude à cota de gênero. No campo administrativo, avançamos na modernização de unidades eleitorais no interior do Estado, com melhorias estruturais de cartórios, a exemplo de Nhamundá e Humaitá. Na área de tecnologia da informação, o TRE-AM recebeu recursos do Tribunal Superior Eleitoral para investimentos no setor. Em agosto, novos servidores concursados preencheram vagas para atuarem, especialmente, em ações de prevenção, bloqueio e respostas mais eficientes à disseminação de desinformação e fake news.
TH: Em 2025, o TRE-AM julgou diversos processos envolvendo fraude à cota de gênero. Como a senhora avalia esse cenário?
CR: Os julgamentos envolvendo fraude à cota de gênero revelam que ainda há resistência ao efetivo cumprimento da legislação eleitoral. O TRE-AM tem cumprido rigorosamente o seu papel constitucional, julgando com responsabilidade sempre que provocado, especialmente pelo Ministério Público. A cota de gênero não é uma formalidade burocrática, mas um instrumento de justiça eleitoral e de promoção da igualdade.
TH: Pensando nas eleições de 2026, quais estratégias o TRE-AM pretende adotar para inibir a repetição dessas fraudes?
CR: Os julgamentos por fraude à cota de gênero têm resultado na cassação de diversos mandatos, que vêm sendo confirmados também pelo TSE, e servem de alerta para o próximo pleito. O rigor na análise dos processos continuará para o cumprimento efetivo da legislação. Estamos formando uma comissão específica de enfrentamento à violência de gênero, com atuação prioritária em áreas sensíveis e de caráter preventivo, por meio de ações de orientação técnica, sobretudo no período de registro de candidaturas.
TH: Como a senhora avalia o cenário atual para a organização das eleições de 2026?
CR: Organizar eleições no Amazonas é, sem dúvida, um grande desafio, em razão das distâncias, das dificuldades de acesso e das especificidades regionais. No entanto, o TRE-AM tem know-how em eleições, pois esta é a atividade-fim do Tribunal. O cenário atual é de planejamento responsável e antecipado. Os principais gargalos continuam sendo logísticos, como o transporte de urnas e equipes para comunidades remotas, além das limitações de conectividade em algumas regiões. Contudo, estamos preparados para garantir um processo eleitoral seguro, transparente e acessível. Nosso compromisso é assegurar que o direito ao voto seja plenamente exercido em todo o Estado.
TH: Como o TRE-AM pode atuar para estimular uma participação política mais consciente, orgânica e efetiva da população?
CR: Dentro de suas atribuições, o TRE-AM tem atuado permanentemente na educação para a cidadania. Desenvolvemos ações de incentivo ao alistamento eleitoral, parcerias institucionais e campanhas voltadas à participação consciente, especialmente de mulheres, jovens, idosos, povos indígenas e comunidades ribeirinhas. Nosso papel é garantir informação, acesso e um ambiente institucional seguro e inclusivo, para que a sociedade se reconheça como protagonista do processo democrático.
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