A Páscoa de 2025 será marcada por preços mais altos e menor oferta de chocolates, consequência direta da crise no mercado global de cacau. Nos últimos 12 meses, o preço do cacau aumentou 189% no mercado internacional, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia), impactando toda a cadeia produtiva e chegando ao consumidor final.

Cerca de dois terços da produção mundial de cacau estão concentrados na Costa do Marfim, na África. Como resultado, o preço da matéria-prima vem subindo devido a uma crise de oferta, provocada pelo colapso climático e por uma crise sanitária na região, que reduziram significativamente a produção global.

Apesar desse cenário apreensivo, nem todo o aumento de custos deverá ser repassado ao consumidor. No entanto, a tendência é que os preços acompanhem a variação observada na indústria de chocolates nos últimos 12 meses.

Essas oscilações afetam tanto grandes e pequenos empresários, que buscam alternativas para manter a oferta de produtos sem alterar consideravelmente os preços e, assim, evitar a perda de clientes.

Patrícia Vasconcelos é uma das manauaras que trabalham com a venda de produtos alimentícios durante a Páscoa. O carro-chefe do seu negócio são os ovos de colher, que costumam ser recheados e podem custar até R$ 70. No entanto, diante do aumento no preço do chocolate, ela vem criando outros produtos.

“O preço ainda está razoável, mas, mesmo assim, tive que reajustar em quase 25%. Uma das alternativas que estou criando para esta Páscoa é uma barra de chocolate de brigadeiro de meio quilo, que chama a atenção, é deliciosa e consigo vender por um valor mais acessível do que um ovo de Páscoa, a R$ 50, por exemplo”, explica Vasconcelos.

Cenário nacional

Os “dribles” no aumento de preços também vêm sendo adotados por grandes empresas. De acordo com o vice-presidente da Cacau Show, Daniel Roque, além da alta no custo, a valorização do dólar tem pressionado as margens do setor nos últimos meses.

Para se ajustar a esse cenário, a Cacau Show elaborou um plano para reduzir custos e ganhar eficiência na linha produtiva, incluindo ajustes em embalagens e processos industriais. “Equalizamos a produção de forma que o impacto para o consumidor não fosse tão grande”, destacou Roque.

Perspectivas futuras

Apesar da crise no setor, especialistas afirmam que a recuperação dos níveis de produção de cacau deverá ocorrer em um período de cinco a sete anos, exigindo investimentos em novas plantações e tecnologias agrícolas. O Brasil, inclusive, tem potencial para integrar, nas próximas décadas, o pódio dos três maiores produtores de cacau do mundo.

“Posso afirmar, como técnico, que, com a tecnologia desenvolvida, em algumas décadas o Brasil estará entre os três maiores produtores de cacau do mundo”, declarou Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

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