COP30: AM deve ampliar debate sobre sustentabilidade, avaliam especialistas

A região amazônica será o centro das discussões e decisões que lutam para frear as mudanças climáticas no planeta. A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, com o objetivo de reforçar os compromissos para lidar com a urgência da crise climática. O Amazonas deve ocupar um papel central nessa agenda que discute o futuro do planeta.

Durante o evento, o estado apresentará os esforços voltados à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável, com iniciativas que buscam equilibrar crescimento econômico e preservação dos recursos naturais.

Especialistas ouvidos pelo Toda Hora reforçam o protagonismo do Estado, mas destacam que há desafios políticos, econômicos e práticos. Para eles, o evento deve ser um momento de aperfeiçoar discussões e consolidar compromissos.

Para Marcelo Seráfico, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a COP30 deve ser vista como parte de um processo, e não como um evento isolado.

Segundo ele, o estado pode deixar ao menos duas marcas importantes na conferência: “O Amazonas poderia deixar sua marca mostrando como tem contribuído para a proteção ambiental e apresentando programas capazes de articular desenvolvimento econômico de baixo impacto e alto retorno social”, avalia, acrescentando que é preciso repensar o modelo econômico do estado, buscando alternativas sustentáveis além da Zona Franca de Manaus.

Na avaliação de Muriel Saragoussi, socioambientalista e ativista, é preciso reconhecer os limites da atuação estadual nas conferências. “Quem negocia oficialmente é o governo federal. Os estados e municípios participam como parte da delegação, com propostas e experiências, mas sem poder decisório”, lembra.

Saragoussi ressalta que o Amazonas pode e deve contribuir com ações concretas de adaptação e mitigação às mudanças climáticas. “O Estado precisa ser proativo, investir em sustentabilidade antes que os problemas se agravem. A discussão não deve ser somente quanto custa asfaltar a BR-319, mas quanto vamos investir para evitar que ela se torne um vetor de desmatamento”, destaca.

Políticas consistentes e projeções

O secretário estadual de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira, destaca que o Amazonas vem consolidando políticas ambientais importantes. Ele cita a Política Estadual de Bioeconomia, o inventário de redução de emissões e os contratos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) em unidades de conservação como exemplos de avanços que devem ser fortalecidos durante a COP30.

“Essas iniciativas reforçam o papel do Amazonas como um agente que, nos últimos anos, tem aliado estratégias de conservação ambiental com a redução de emissões, impulsionando um novo modelo econômico. Este modelo busca, em conjunto com o setor industrial, estabelecer uma matriz produtiva que gere riqueza, melhore a qualidade de vida da população e continue a reduzir o desmatamento, as queimadas e as emissões de gases de efeito estufa”, ressalta.

Comunidade Científica

O olhar da comunidade científica também é otimista, mas realista. Henrique Santos, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirma que a COP30 será uma vitrine para a ciência produzida no Estado. A instituição participa de eventos organizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pelo Ministério do Meio Ambiente e por parceiros internacionais como Alemanha e Reino Unido.

“É uma oportunidade excepcional para a divulgação dos resultados alcançados pela instituição, assim como esperamos que tenhamos diversas oportunidades de fortalecer nossas redes de cooperação e de estabelecer novas parcerias, confirmando nosso papel de liderança científica na região”, diz o diretor do Instituto.

Projetos apresentados

Comitivas do Governo do Estado e da Prefeitura de Manaus levarão à COP30 uma série de projetos desenvolvidos para diferentes painéis da conferência.

O governador Wilson Lima anunciou, nesta semana, que irá apresentar o Plano Estadual de Bioeconomia, considerado um marco na transição para uma economia sustentável no Amazonas. O pacote que será apresentado inclui ainda o lançamento da Política Estadual de Transição Energética, que tem como meta reduzir em 50% o consumo de diesel até 2030.

O portfólio contempla também 50 projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), além de um inventário de pesquisas voltadas ao enfrentamento da estiagem e de eventos climáticos extremos.

“Tenho certeza que o Estado será bem representado. Esses projetos são uma prova que estamos nos antecipando na agenda de desenvolvimento sustentável. Há um grande compromisso em proteger nossos recursos naturais, mas sobretudo proteger as nossas populações”, defende o governador.

A Prefeitura de Manaus também participará da conferência, apresentando o projeto das ecobarreiras — estruturas instaladas em igarapés da capital que, juntas, impedem que cerca de 300 toneladas de lixo por mês cheguem ao rio Negro.

“Dentre outros projetos, nós vamos apresentar o projeto das ecobarreiras, que ajudam a preservar o meio ambiente. A gente consegue, por mês, segurar nas 12 ecobarreiras, que nós temos, aproximadamente 300 toneladas de lixo. Lixo esse que iria descer os igarapés, chegar até o rio Negro e, posteriormente, ao oceano. Com isso, a gente contribui para o meio ambiente, preservando os nossos mananciais”, destacou o prefeito David Almeida.

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