O Amazonas caminha para o fim do terceiro mês do ano com 11 municípios em situação de emergência por causa das inundações: Santo Antônio do Içá, Lábrea, Boca do Acre, Eirunepé, Itamarati, Carauari, Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Canutama e Tapauá. Além desses, outros oito municípios estão em alerta e 15 em situação de atenção, segundo dados da Defesa Civil do Estado.

Apesar da previsão de cheia moderada, moradores do interior seguem preocupados com os efeitos da subida dos rios em diferentes frentes, desde o comprometimento de moradias até prejuízos na produção rural e dificuldades de deslocamento.

De acordo com a Defesa Civil, as inundações são o desastre natural mais recorrente no Amazonas, correspondendo a 59,07% das ocorrências registradas no estado.

A classificação de Situação de Emergência é aplicada quando há alteração intensa e grave das condições de normalidade em um município, em razão de desastre, comprometendo parcialmente sua capacidade de resposta. O ‘status’ é anunciado pelas cidades via decretos publicados nos diários oficiais e em seguida, reconhecidos pela Defesa Civil.

Municípios mobilizam assistência

Entre os municípios em situação de emergência está Carauari. A prefeitura informou que famílias estão sendo afetadas pela subida das águas do rio Juruá, com prejuízos na produção agrícola. Mulheres, comunidades ribeirinhas e produtores rurais estão entre os mais impactados.

Segundo a gestão, a Defesa Civil tem atuado monitorando constantemente áreas de risco, enquanto a Secretaria Municipal de Cidadania, Família e Combate à Fome realiza a entrega de ajuda humanitária com recursos próprios do município.

Já a Prefeitura de Itamarati informou que, por meio da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil, intensificou as vistorias técnicas nas áreas atingidas. Em nota, destacou que a prioridade é garantir a segurança das famílias, avaliar riscos estruturais e coordenar ações de assistência para evitar que moradores fiquem desamparados.

Enchente consolidada

Enquanto os municípios intensificam ações emergenciais, o último Boletim Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado em 17 de março pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), aponta a consolidação do período de enchente nos principais rios monitorados do estado.

No rio Solimões, o processo de cheia se mantém nas estações analisadas. Em Tabatinga, o nível permaneceu estável, com variação de apenas 1 centímetro na semana. Em Fonte Boa, a elevação acumulada foi de 10 centímetros.

Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri apresentou continuidade no processo de subida, com elevação acumulada de 28 cm nos últimos 7 dias, mantendo-se dentro da faixa de normalidade.

Todas as estações monitoradas no rio Amazonas apresentaram elevação dos níveis. No Careiro, a subida foi de 14 centímetros. Em Itacoatiara, a elevação acumulada chegou a 17 centímetros. Em Parintins, com base nos dados disponíveis, a subida foi de 14 centímetros.

Risco moderado a alto no trimestre

Relatório técnico com prognóstico para o primeiro trimestre de 2026 indica que o cenário hidrometeorológico observado no início de janeiro confirma a consolidação do período de enchente em todas as calhas monitoradas do Amazonas. O prognóstico climático aponta chuvas acima da normalidade ao longo do primeiro trimestre.

A análise integrada dos dados evidencia risco hidrológico moderado a alto, especialmente nas calhas dos rios Juruá, Purus, Madeira, Solimões–Amazonas e Negro. Há potencial para inundação gradual, alagamentos urbanos, erosão de margens, instabilidade de barrancos e comprometimento de rotas fluviais e comunidades ribeirinhas.

O documento recomenda atenção especial aos municípios localizados a jusante da Usina Hidrelétrica de Balbina, diante da possibilidade de elevação do nível do rio Uatumã caso se confirmem cenários de chuvas persistentes.

Situação Rio Negro

Na bacia do Rio Negro, os níveis voltaram a subir na última semana. Em Manaus, a medição do rio iniciou em fevereiro com 22.93m e até o dia 27 de março registrou 25.26m.

De acordo com o boletim hidrológico, o cenário atual está dentro da normalidade histórica. Em cerca de 73% dos anos monitorados, o pico da cheia do Rio Negro ocorre no mês de junho, enquanto em 24% dos casos a máxima é registrada em julho. Após esse período, o rio entra gradualmente em vazante, com níveis mínimos geralmente entre outubro e novembro.

Impactos ambientais e sociais

A cheia dos rios cria uma série de impactos. O Plano Tático de Inundação de 2025 aponta como principais a contaminação da água, erosão do solo, poluição do ar, aumento da transmissão de doenças, além de ferimentos, traumas físicos e impactos psicológicos nas populações atingidas.

No meio ambiente, a enchente pode provocar prejuízos às culturas agrícolas, assoreamento de áreas verdes, perda de habitat para animais e plantas, deslocamento de fauna e alterações nos ecossistemas aquáticos.

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