Com o Rio Negro acima dos 28 metros, Manaus já sente os impactos da cheia de 2025. A capital amazonense entrou oficialmente na lista de municípios em situação de alerta devido à elevação do nível das águas, que traz consigo uma série de desafios, especialmente nas áreas de saúde pública e infraestrutura urbana. À medida que o nível do rio sobe, surgem novas problemáticas que exigem atenção redobrada, como o risco de contaminações, alagamentos em áreas vulneráveis e a necessidade de adaptação dos serviços essenciais.
Embora os prognósticos indiquem uma probabilidade menor de que a cheia atinja os recordes históricos — como em 2021, quando o Rio Negro ultrapassou os 30 metros —, dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam que há 42% de chance de a cota de inundação severa (29 metros) ser alcançada ainda neste ciclo, com pico previsto para meados de junho.
Em bairros e comunidades próximas a igarapés e rios, famílias convivem com o avanço das águas pelas ruas e quintais. Uma força-tarefa coordenada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), já deu início à instalação de pontes de madeira para garantir o acesso da população. No bairro de São Jorge, foram montados mais de 400 metros de passarelas e no Educandos, uma estrutura de 100 metros foi concluída nas primeiras semanas do mês.
O objetivo do executivo municipal é mobilizar as equipes para ações preventivas, garantindo que os moradores desses locais afetados consigam manter seus deslocamentos diários para trabalho, escola e serviços de saúde. O secretário executivo da Defesa Civil de Manaus, Agnelo Batista Júnior destaca que é necessário que a população procure as equipes para garantir que os atendimentos cheguem o quanto antes.
A dona de casa Priscila Costa, de 40 anos, mora no bairro Colônia Antônio Aleixo, também afetado pela cheia. Para ela, a nova ponte de 120 metros que interliga a rua Jatobá à comunidade da Fé representa alívio para toda população local, que sofria com isolamento durante o período de enchente e precisava realizar a locomoção através de canoas. Cerca de 400 pessoas passam no local diariamente.
“Era com muita dificuldade que passávamos por aqui, tínhamos que dar uma volta enorme. Então, nós, moradores, nos reunimos e compramos uma canoa. Na época da seca pegávamos as árvores para fazer como ponte, passando por cima, se arriscando com os bichos”, disse.
Riscos sanitários
Apesar das pontes e das ações de contingência da Defesa Civil, o aumento no registro de acidentes com animais peçonhentos e infecções é comum neste período do ano. O contato com a água contaminada preocupa profissionais de saúde, que alertam para doenças de veiculação hídrica, como leptospirose, hepatite A, tétano acidental e diarreias infecciosas.
A infectologista Nilcéia Mota orienta que a população evite entrar em contato direto com áreas alagadas e entulhos, não consuma alimentos que tenham tido contato com água não tratada e, sempre que possível, utilize botas e luvas.
“É importante, dentro das possibilidades, usar botas ou curativos à prova d’água em caso de ferimentos, pois até mesmo um pequeno arranhão pode ser porta de entrada para essas doenças que se espalham pela água. Garanta que a água para consumo seja filtrada ou fervida. Sobre os alimentos, caso tenham entrado em contato com a água da cheia, devem ser totalmente descartados, mesmo que a embalagem pareça íntegra”, alerta.
Impacto no comércio
Além de afetar a população dos bairros, a cheia também se aproxima da região comercial da capital, no Centro. Em locais como a rua dos barés e Floriano Peixoto, tradicional ponto comercial do Centro de Manaus, os alagamentos já preocupam vendedores e consumidores. Em cheias intensas anteriores, o acúmulo de água dificultou o trânsito de pedestres e veículos nas imediações de locais de grande fluxo como a feira da Manaus Moderna. Ao Toda Hora, a Defesa Civil do Estado informou que não recebeu alerta de inundação no Centro até esta semana, mas que monitora a subida do nível das águas.
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