O Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) suspendeu o registro profissional da técnica de enfermagem Raiza Bentes Marinho, de 22 anos, que é investigada pela morte de Benício Xavier, em um hospital particular de Manaus. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (4/12).

De acordo com a decisão, a Câmara de Ética do conselho considerou a “extrema gravidade dos fatos imputados” para determinar a suspensão cautelar do exercício profissional, medida prevista nos artigos 15 a 19 da Resolução Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) nº 706/2022, que regulamenta os procedimentos éticos na enfermagem.

A manifestação do Coren-AM foi assinada eletronicamente pelo coordenador da Câmara de Ética, Zilmar Augusto de Souza Filho, e pela conselheira relatora, Carlem Gonçalves Cabús, após deliberação realizada na 3ª Reunião Ordinária da Câmara na segunda-feira (1º/12).

Caso Benício: Coren-AM abre investigação e suspende registro de técnica de enfermagem
A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (4/12) – Foto: Reprodução

A Câmara de Ética do conselho também aprovou, por unanimidade, a abertura de um Processo Ético contra a técnica de enfermagem, após análise do Parecer nº 6/2025, emitido pela conselheira relatora.

Segundo o documento, Raiza estaria envolvida em condutas que violariam diversos artigos da Resolução Cofen nº 564/2017, que estabelece o Código de Ética da Enfermagem. Entre os artigos citados como potencialmente infringidos estão os de números 24, 39, 40, 45 e 78.

O que diz a técnica
Após depoimento à polícia, Raiza afirmou à imprensa que a prescrição feita pela médica Juliana Brasil Santos era adrenalina por via intravenosa e não por nebulização. A técnica reconheceu ter aplicado apenas uma dose da medicação pura, sem diluição, conforme a receita, embora a prescrição indicasse três.

“A mãe perguntou se tinha nebulização e eu disse que não. Estava prescrito intravenoso. A criança ficou pálida, reclamou que o coração “estava queimando” e teve dificuldade para respirar. A equipe de enfermagem tentou reverter o quadro até a chegada da médica. Eu fiz o que estava escrito. Técnico não pode fazer nada sem prescrição médica”, disse

Segundo a técnica, quando a médica Juliana chegou à sala, “quis procurar culpados” e chegou a indagar a mãe: “Eu não falei que era pra fazer nebulização?”.

No prontuário anexado ao inquérito policial, a médica admite ter prescrito a adrenalina por via errada: “Prescrevi erroneamente adrenalina por via EV, sendo que orientei verbalmente a via inalatória”, diz o documento.

👁 1 visualizacoes

PUBLICIDADE