O Amazonas iniciou em 2026 com números expressivos na retirada de armas de fogo de circulação. Somente nos primeiros 12 dias deste ano, o Painel de Monitoramento da Segurança Pública do Amazonas já contabiliza 44 armas de fogo apreendidas, sendo 21 somente em Manaus. O dado reforça a tendência observada em 2025, quando 1.606 armas foram recolhidas, das quais 756 apenas na capital.
O volume de apreensões caminha lado a lado com a produtividade policial, que registrou um aumento de 30% nas prisões em flagrante, saltando de 4 mil em 2024 para 5,2 mil em 2025. O comandante da Força Tática, tenente-coronel PM Allan Rolim, ressalta que o impacto real da retirada dessas armas é imensurável.
“A meta para esse ano é dobrar a quantidade de armas de fogo recolhidas em 2025, assim, o índice de criminalidade tende a reduzir, dando mais tranquilidade e segurança à população”, afirmou o tenente-coronel.
Complementando a visão operacional, o sargento da Força Tática e especialista em segurança pública, PM Allison Carvalho, detalha a diversidade do arsenal capturado em 2025, que inclui desde revólveres até fuzis de guerra.
“Entre as armas estavam fuzis, submetralhadoras, rifles, espingardas, escopetas, pistolas, revólveres e armas de fabricação caseira. À medida que a tropa apreende armas, ela evita crimes como homicídios, latrocínios e roubos”, afirmou, acrescentando que pistolas e revólveres continuam sendo os armamentos mais comuns.
O sargento ressaltou ainda que os dados dos últimos anos acendem o alerta para o poderio bélico do crime organizado, que utiliza armamentos de alta cadência. “Cada apreensão representa um elo rompido na cadeia logística que alimenta a violência, tanto na capital quanto nas rotas fluviais da tríplice fronteira”, concluiu.
Cerco nos rios e logística da fronteira
Além das armas de fogo, as ações do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira e Divisas (GGI-F) resultaram em 1,3 mil armas brancas apreendidas, 49 coletes balísticos e 21,5 mil munições recolhidas do crime organizado.
Para o GGI-F, o avanço é atribuído à intensificação das operações integradas, ao uso de tecnologia e à ampliação da presença policial em áreas estratégicas, sobretudo nas rotas fluviais e regiões de fronteira, consideradas corredores do tráfico de drogas e armas.
Armas de guerra
No último dia 6 de janeiro, uma operação em São Paulo de Olivença resultou na apreensão de dois fuzis de grosso calibre, incluindo um AK-47, de propriedade do Exército venezuelano. Um jovem de 20 anos, que atuava como “mula”, foi preso recebendo R$ 3 mil para transportar o arsenal que serviria de escolta para carregamentos de drogas até Manaus.
“Esse transporte faz parte de uma logística criminosa em que as armas escoltam drogas e retornam à fronteira. É um perigo, pois essas armas são utilizadas em confrontos contra as forças de segurança do nosso estado e outras regiões de fronteira”, detalhou o delegado Paulo Mavignier, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), durante coletiva sobre o caso.
Em junho do ano passado, a Companhia de Operações Especiais (COE) realizou a maior apreensão de drogas da história do Amazonas: 6,5 toneladas de entorpecentes, nas proximidades de Manacapuru. Na mesma ação, foram apreendidos sete fuzis, duas metralhadoras, um lançador de granadas, quase 5,7 mil munições, mais de 100 carregadores, uma lancha com seis motores, celulares e dinheiro em espécie.
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