Segundo o delegado do caso, investigações não encontraram responsáveis pela tragédia; acidente matou 10 dez pessoas
Minas Gerais – A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu que a queda da estrutura rochosa que matou 10 pessoas em Capitólio, a 293 km de Belo Horizonte, foi um fenômeno natural de erosão. A informação foi divulgada, nesta sexta-feira (4), durante entrevista coletiva sobre a conclusão do inquérito do tombamento.
Queda aconteceu em janeiro deste ano. (Foto: Divulgação / Corpo Bombeiros Minas Gerais)
Segundo o delegado responsável pelo caso, Marcos Pimenta, as investigações não encontraram responsáveis pela tragédia e não haverá indiciamento. Apesar da conclusão dos trabalhos, o órgão fez uma lista com dez medidas como sugestão para serem adotadas e aumentar a segurança dos turistas na região.
Durante a coletiva, o geólogo Otávio Guerra explicou, com elementos técnicos, que o tombamento ocorreu após uma sequência de eventos naturais. Segundo o especialista responsável pelo laudo, a queda está relacionada ao processo de remodelamento do relevo, o que se repete em toda a região dos cânions da cidade. “Com isso, é fundamental que se comece a pensar em um mapa de risco pela região”, aponta Guerra.
Irregularidades
Ainda de acordo com o Pimenta, uma empresa que explora o turismo na região solicitou ao IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) autorização para realizar uma perfuração de 80 metros no local, para verificar a disponibilidade de água. Porém, as investigações levantaram que havia uma cavidade de 288 metros no local, feita por uma instituição com CPJ diferente.
“Quando há um poço seco. Você precisa tampar o local e comunicar o IGAM em 30 dias. O que também não foi feito”, completou o delegado.
Outra questão que chamou a atenção da polícia foi a existência de um decreto municipal que previa um píer para a fiscalização das embarcações. A prefeitura relatou que o ponto foi construído, mas destruído por vândalos.
Apesar das irregularidades, os levantamentos, segundo a Polícia Civil, não contribuíram para a queda.
Acidente em Capitólio
No dia 8 de janeiro, uma estrutura rochosa caiu sobre lanchas com turistas na região dos cânions de Capitólio (MG). Ao todo, dez pessoas morreram na tragédia e mais de 30 ficaram feridas.
Além da investigação policial, o caso é acompanhado pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela Marinha.
Confiras as medidas sugeridas pela Polícia Civil:
1. Realização do mapeamento de todas as zonas de risco por profissionais especializados;
2. Redução de número de embarcações nos cânions;
3. Implementação do selo de identificação nas embarcações;
4. Identificação de todos os turistas que usarem os barcos;
5. Uso de colete em todas as embarcações e capacetes na região cânions
6. Maior integração entre os órgãos e instituições responsáveis pela concessão e fiscalização do local;
7. Proibição de passeios na região quando existir advertência da Defesa Civil;
8. Fortalecimento das fiscalizações de engenharia, geologia e ambiental;
9. Exigência de estudo de risco e respectiva contenção para empreendimentos turísticos;
10. Efetiva fiscalização de Furnas e da concessionária Nascentes das Gerais para a adoção de medidas preventivas.
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 03/03/2022
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