Em Manaus, artistas e empreendedores têm transformado o amor pela cidade e pela região em produtos autorais que celebram o orgulho de ser nortista, valorizando a cultura e os símbolos amazônicos, movimento que ganha força especialmente no mês de aniversário da capital, que completa 356 anos.
Entre as iniciativas que exaltam a capital amazonense está a marca UsePacovã, criada em 2021 por Maysa Fagundes e Juliana Landim, com o propósito de valorizar a cultura amazônica por meio da moda. A marca produz camisetas, ecobags e acessórios com estampas inspiradas na cidade, em gírias, frutas típicas e pontos turísticos.
“Queríamos transmitir nosso orgulho de sermos nortistas em nossos produtos, utilizando a moda como meio de expressão. As pessoas se identificaram com as estampas que falam de Manaus e do Norte, e isso virou o nosso propósito”, contou Maysa.
As empresárias destacam que o público da marca é formado, em sua maioria, por manauaras: “Eles se sentem representados pelas frases e ilustrações e querem transmitir o orgulho de serem daqui, mas também temos clientes de fora que levam nossas peças como recordação até para outros países”, acrescentou Juliana.
Para elas, o cenário criativo da cidade vem se fortalecendo. “Conseguimos identificar um movimento crescente de valorização do que é nosso. Manaus sempre esteve cheia de artistas, e hoje vemos um público mais engajado em consumir produtos locais, embora ainda exista resistência quando se trata de preço, já que nossas peças são feitas manualmente”, destacaram as fundadoras da marca.
Atelier Janelas de Manaus
Outra artista que transforma Manaus em arte é Suany Ximenes, idealizadora do Atelier Janelas de Manaus, que produz cadernos, ecobags, canecas, pins e ilustrações com temas regionais. O negócio nasceu em 2019, a partir de um projeto que retratava as janelas históricas da cidade.
“Comecei desenhando e fotografando as janelas do nosso centro histórico, e os seguidores começaram a pedir produtos com essas artes. Quis mostrar não só as janelas, mas também o Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa, as igrejas e os museus, aguçando memórias e valorizando a nossa história”, explicou Suany.
Para a artista, o interesse por produtos amazônicos aumentou nos últimos anos. “Percebo uma valorização em alta, vivo isso em cada venda, quando meus clientes comentam o quanto amam meu trabalho, por colocar a cidade em evidência. Hoje, o mercado exige produtos que unam estética, qualidade e identidade cultural”, ressaltou.
Vitrine cultural e economia criativa
O reconhecimento da produção local também se reflete em eventos que celebram o talento manauara. No Amazonas Shopping, o projeto “Viva Manaus” reúne, até o dia 26 de outubro, marcas e artistas que expressam a identidade da cidade por meio de produtos regionais, tatuagens temáticas e exposições culturais.
O espaço conta com a participação das marcas Os Barés, UsePacovã, Studio Amazônico e Valeska Paiva, além do tatuador Max Bonari, com artes inspiradas no imaginário amazônico.
Já no universo da moda, o Amazon Poranga Fashion (APF) se consolidou como uma vitrine da economia criativa amazônica. Criado em 2023, o evento chegou à sua terceira edição este ano, com mais de 20 marcas autorais da região, desfiles, oficinas e apresentações artísticas no Largo de São Sebastião.
“Por trás das marcas autorais, existem pessoas extremamente criativas da região Norte. Com o Poranga, queremos trazer à tona várias formas de representar a Amazônia e fortalecer quem vive diariamente os desafios de ser nortista”, afirma a idealizadora do evento, Jessilda Furtado.
Consumo consciente
Para a jornalista Isabelle Lima, investir em peças regionais reverbera em toda a cadeia produtiva e econômica da região.
“Uso diversos tipos de marcas regionais, não só roupas, como também bolsas, colares, brincos e até velas aromáticas e perfumes. É importante não só para que eu me sinta representada com esse regionalismo quando vou para outros estados, mas também porque em alguns casos, algumas marcas atuam em parceria com comunidades do interior e indígenas, onde fazem curadorias , trazendo peças lindas e ainda revertem os valores para a própria comunidade. Então é uma valorização dupla, fortalecendo o artesanato sustentável e fomentando a bioeconomia da região”, explica.
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