Sophia Livas de Morais Almeida, suspeita de se passar por médica em Manaus, já trabalhou no gabinete do vereador Jaildo Oliveira (PV), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), em 2022. Ela foi presa na segunda-feira (19/5) e é investigada por atender clandestinamente pacientes, incluindo crianças com cardiopatia e autismo.

A nomeação e exoneração de Sophia foi assinada pelo vereador David Reis (Avante), no primeiro mandato dele na presidência da CMM. Ela ocupou o cargo comissionado APC-1 por oito meses, de maio a dezembro de 2022, conforme publicações no Diário Oficial da CMM.

A revelação de que a falsa médica trabalhou no parlamento municipal veio à tona após denúncia de Marline Melo, mãe de uma criança com paralisia cerebral. A dona de casa revelou à imprensa que conheceu a suspeita em um serviço social realizado na CMM, onde a falsa médica se apresentou como pediatra.

Na ocasião, a falsa médica chegou a encaminhar o filho de Marline, de 11 anos, para uma cirurgia prometendo que ele voltaria a andar, receitou medicamentos, suspendeu remédios e o tratamento que a criança realizava.

A reportagem solicitou posicionamento da assessoria do vereador e da Câmara Municipal de Manaus. Em caso de resposta, a matéria será atualizada.

Reação
A atuação de Sophia na Casa Legislativa gerou revolta de candidatos aprovados no concurso público da CMM, realizado em 2024, e que cobram na Justiça a homologação do certame anulado pela atual presidência.

“O concurso foi a esperança de recomeço para muitos de nós. Eu, como médico e servidor público, me sinto duplamente desrespeitado. Primeiro pela anulação arbitrária de um certame legítimo, e agora por ver um caso grave de exercício ilegal da medicina ser tolerado dentro de um órgão público”, aifrmou o  médico Dario Júnior, que foi aprovado em primeiro lugar para o cargo de médico do trabalho.

Prisão
Sophia permanece presa após audiência de custódia. Ela é formada em Educação Física, mas exercia ilegalmente a medicina, apresentando-se como especialista em cardiologia pediátrica. Segundo as investigações da Polícia Civil do Amazonas, Sophia atuava em unidades de saúde, clínicas particulares e unidades públicas.

Ela também dava aulas como professora voluntária em faculdades de medicina, em Manaus, e participava de um programa de podcast sobre saúde para divulgar sua suposta atuação médica.

Com a prisão da falsa médica, mães de vítimas prestaram depoimento no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A polícia segue investigando para identificar todas as vítimas.

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