Uma das eleições mais polarizadas desde a redemocratização brasileira terá seu primeiro ato neste domingo. Líderes nas pesquisas de intenção de voto realizadas ao longo do ano, o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam à reta final em um cenário indefinido, que pode ou não se decidir no primeiro turno. Os dois candidatos são os protagonistas de um pleito que acentuou a divisão do País e trouxe ao debate público a disputa entre esquerda e direita como poucas vezes se viu.
O atual presidente Jair Bolsonaro parece buscar a reeleição em um ambiente menos favorável do que viveu em 2018, quando chegou à frente sob uma onda de antipolítica e antiesquerda, mesmo estando em um partido então nanico, o PSL.
Hoje, o mandatário está desgastado por sua condução política durante a pandemia, pelo afastamento de antigos aliados e por apostar constantemente num discurso de enfrentamento. Contudo, ainda mantém uma base de apoio gigante, fiel e apaixonada, que garante a ele em todas as pesquisas pelo menos 30% das intenções de voto.
Já Lula se vale de sua popularidade aprofundada durante seus dois mandatos como presidente, entre 2003 e 2010. Joga contra si as sucessivas denúncias de corrupção contra o PT durante suas gestões, a crise econômica e social iniciada durante o governo de sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), e por ter sido preso entre abril de 2018 e novembro de 2019, sob decisão do então juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os processos foram anulados.
Nenhum desses poréns, entretanto, foi suficiente para tirar a força de ambos nas pesquisas eleitorais.
“Um é ex-presidente e o outro é presidente. É natural que tenham um destaque significativo. Na história da reeleição dos presidentes nenhum não foi reeleito – e isso pode acontecer agora”, explica o professor Aldo Fornazieri, cientista político e coordenador da pós-graduação em Estratégia e Liderança Política da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em entrevista à Gazeta.
Segundo o especialista, Bolsonaro representa uma ponta ideológica de extrema direita com forte discurso moralista, e se elegeu com o mote da anticorrupção. “Mas esse discurso perdeu força na medida em que seu governo foi atingido por denúncias. Na reta final, ainda houve a questão dos imóveis da sua família”, explica, para mostrar por que o mandatário se enfraqueceu em busca da reeleição.
Para o professor, as denúncias contra Bolsonaro fizeram as acusações contra Lula perderem a força na visão do eleitor, além do fato de o petista ter tido os processos contra si anulados por instâncias da Justiça.
“Lula saiu muito bem avaliado da Presidência da República, então há ainda uma memória boa do seu governo. Porém, teve todo o problema da corrupção. O que beneficiou Lula? O fato dos processos terem sido anulados. Assim, esse jogo do embate da corrupção fica zero a zero entre os dois [na avaliação dos eleitores]”.
Outros cargos
Além do presidente e dos 27 governadores, o Brasil também vai escolher neste pleito eleitoral 513 deputados federais, um novo senador por estado e, no caso do Amazonas, 24 deputados estaduais para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.
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