O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União), respondeu nesta sexta-feira (08/05) ao pedido feito pelo prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), para auxiliar para o recapeamento de ruas da capital. Para o governador, a atitude de Renato foi uma tentativa de atribuir essa responsabilidades ao Executivo Estadual e classificou a iniciativa como manobra política.

“Todos sabem que sou uma pessoa do diálogo, em prol do Amazonas, já que Manaus representa mais de 55% da população do nosso estado. Mas não podem tentar trazer uma responsabilidade para um governador que assumiu há apenas quatro dias. Isso é uma estratégia política para tentar tirar uma responsabilidade que é dele”, afirmou o governador, durante lançamento da Operação Cheia 2026 nesta sexta-feira (08/05).

Nessa quinta-feira (07/05), Renato Júnior afirmou que não solicita repasse de recursos ao município, mas que a ação poderia ser feita por meio de órgãos estaduais, como a Secretaria de Estado de Infraestrutura  (Seinfra) e a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). O prefeito também afirmou que mais de 80% dos impostos arrecadados em Manaus ficam com o governo estadual.

“Eu gostaria de humildemente, sem egos e vaidades, sem siglas partidárias, pedir ajuda à cidade de Manaus ao senhor governador Roberto Cidade. (…) Comece uma operação tapa-buraco na cidade de Manaus. Comece um recapeamento”, afirmou o prefeito.

Questionado sobre a solicitação de Renato Júnior, o governador disse que os repasses do Governo do Estado já somam mais de R$ 200 milhões para asfalto via convênios e impostos. Cidade também afirmou que o posicionamento do prefeito teria motivação política.

“Desde 2019, o governo estadual destinou mais de R$ 17 milhões à Prefeitura de Manaus, para ICMS e IPVA, para asfalto, somam-se mais de R$ 200 milhões, visando a melhoria da cidade. O prefeito disse que iria trazer solução para o problema, mas não fez. Então, o Governo do Amazonas faz sua parte com a Prefeitura de Manaus, mas precisamos analisar. Falta gestão!”, apontou o governador.

Apesar das críticas, Roberto Cidade reforçou que continuará aberto a negociações e que pretende manter diálogo institucional com a Prefeitura de Manaus.

“Vou conversar com o prefeito no momento certo para traçar um caminho, mas cada um tem que se responsabilizar com a sua gestão. Reafirmo minha postura de diálogo, aberta a conversas com todos, pois nosso papel é servir a todo o estado”, concluiu.

Operação Cheia 2026

Cidade diz que asfaltar ruas de Manaus é responsabilidade da prefeitura
Foto: Mauro Neto

Esta é a primeira grande remessa da operação Operação Cheia 2026 coordenada pelo Governo do Estado para minimizar os impactos da enchente nas comunidades isoladas este ano. Ao todo, serão 598 toneladas de ajuda humanitária destinadas às calhas dos rios Juruá e Purus. A ação estadual prevê o atendimento imediato de 26 mil famílias com cestas básicas, além da distribuição de 125 purificadores do projeto Água Boa em 21 municípios.

Durante o evento, Cidade destacou que a antecipação das ações busca reduzir os impactos sociais e logísticos causados pela cheia.

“O governo do Amazonas, mais uma vez, demonstra proatividade diante dos desafios anuais enfrentados em nossa região. O Amazonas sempre enfrenta dificuldades no setor logístico, mas a iniciativa de hoje, que envolve a distribuição de cestas básicas, visa auxiliar a população e demonstra nosso compromisso com o bem-estar social”, afirmou Cidade.

Ajuda humanitária e logística no interior
O governador destacou ainda que a distribuição, que inclui o fornecimento de combustível para comunidades isoladas, deve ser concluída em até 20 dias com o apoio das prefeituras. “Ao antecipar as ações necessárias, conseguimos enviar recursos para que, mesmo no interior, possamos oferecer esperança à população”.

A logística de distribuição contará com apoio das prefeituras municipais. Conforme o governador, os alimentos serão transportados por balsas e lanchas e devem chegar aos municípios em aproximadamente 20 dias.

“A retirada dos alimentos pelos prefeitos, por meio de transporte próprio, otimiza o tempo de entrega. Vamos dialogar com os gestores municipais, uma vez que conhecem as particularidades de cada localidade e são os mais indicados para garantir que a distribuição ocorra da forma mais eficiente possível”, concluiu Roberto Cidade.

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