Antes de participar do Conclave que elegeu Leão XIV como novo Papa, o arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, afirmou, em entrevista, que tem visto muita gente retornando às origens católicas.

“Aqui em Manaus, na Páscoa, foram batizados vários adultos. Temos recebido pessoas voltando para a Igreja depois de um tempo ausente”, afirmou o arcebispo em entrevista Folha de São Paulo.

A conversão ao catolicismo está em expansão, conforme a Folha. Segundo a Conferência Episcopal Francesa, o número de adultos batizados foi de 5.423 em 2023 para 7.135 em 2025 até agora, um salto de 31,5%. E o batismo de adolescentes, em 2025, já acumula 7.404 jovens de 12 a 18 anos, o número é 2,5 vezes mais do que a adesão vista dois anos antes nessa faixa etária.

No Brasil, não há dados sobre a religião do Censo 2022 para explicar o fenômeno. No entanto, a Igreja Católica tem recebido mais devotos adultos no país.

“A gente não tem dados confiáveis que mostram um crescimento claro desse tipo de conversão, sobretudo entre adultos que escolhem a fé católica mais tarde, por vontade própria, e não por tradição familiar ou batismo infantil”, afirma o antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ.

“Mas dá pra notar, sim, um movimento curioso. Em alguns círculos urbanos, mais escolarizados, tem gente se reaproximando do catolicismo. Não daquele jeito automático, de rotina, mas buscando formas mais intensas, mais pensadas da religião. Liturgias mais elaboradas, leitura de autores católicos, uma religiosidade que envolve disciplina, ritos”, declarou.

A popularidade do papa Francisco e a atenção dada à sua sucessão, ou mesmo de fenômenos virtuais como frei Gilson, ajudam a renovar o fôlego católico.

Coordenador do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-SP, Francisco Borba Ribeiro Neto aponta que há também o convertido “de dentro”, que a estatística dá de barato que já estava lá.

Relatos
A universitária Marcela Sousa, 23, perdeu a mãe para o câncer no final de 2024. No mesmo mês, terminou um namoro e foi dispensada do estágio. Entrar para um grupo de WhatsApp com jovens católicos, convidada por uma colega da faculdade, lhe renovou “a fé na vida”, diz.

“Eu fui no terreiro, no culto, fui em tudo. Até hare krishna eu ensaiei ser. Mas entrei numa igreja [católica] um dia e me senti muito bem. Não compactuo com muitas coisas da Igreja. Mas eles estão no ‘business’ faz tempo, tem que respeitar”, afirmou.

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