A Organização Mundial da Saúde ativou seu nível mais alto de alerta neste sábado (23) para tentar conter o surto de varíola do macaco, que afetou quase 17.000 pessoas em 74 países, anunciou seu diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.
“Decidi declarar uma emergência de saúde pública de alcance internacional”, disse Tedros em entrevista coletiva, afirmando que o risco no mundo é relativamente moderado, exceto na Europa, onde é alto.
Tedros explicou que o comitê de especialistas não conseguiu chegar a um consenso e permaneceu dividido sobre a necessidade do nível mais alto de alerta. Em última instância, a decisão cabe ao diretor-geral.
“É um apelo à ação, mas não é o primeiro”, disse Mike Ryan, chefe de emergências da OMS, que esperava que o alerta leve a uma ação coletiva contra a doença.
Desde o início de maio, foi detectado um aumento incomum de casos fora dos países da África Central e Ocidental onde o vírus é endêmico, espalhando-se por todo o mundo, com um alto número de infecções na Europa.
A varíola do macaco – detectada pela primeira vez em humanos em 1970 – é menos perigosa e contagiosa do que a varíola, erradicada em 1980. Na maioria dos casos, os pacientes são homens relativamente jovens, que têm relações homossexuais e geralmente vivem em cidades, disse a OMS.
De acordo com um estudo do New England Journal of Medicine com 528 pessoas em 16 países – o maior até o momento – 95% dos casos foram transmitidos sexualmente.
“Esta forma de transmissão representa uma oportunidade para intervenções de saúde pública direcionadas e um desafio, pois as comunidades afetadas em alguns países enfrentam formas de discriminação com risco de vida”, disse Tedros.
O chefe da OMS também enfatizou que “há uma preocupação real de que homens que fazem sexo com homens possam ser estigmatizados ou culpados pelo surto, tornando mais difícil rastrear e conter” os casos.
Na sexta-feira, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou estender o uso de uma vacina contra a varíola para combater a propagação da varíola do macaco, que já é usada em vários países.
Em 2013, a UE aprovou a vacina Imvanex, da empresa dinamarquesa Bavarian Nordic, para prevenir a varíola. Seu uso agora é estendido devido à sua semelhança com o vírus da varíola do macaco.
A OMS recomenda vacinar as pessoas de maior risco, bem como os profissionais de saúde que possam estar expostos à doença.
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© Agence France-Presse
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