Quatro das maiores empresas de tecnologia do Mundo: Apple, Google, Microsoft e Amazon utilizaram ouro extraído de garimpo ilegal em terras indígenas na Amazônia. É o que mostra uma reportagem produzida pela organização de jornalismo investigativo Repórter Brasil e analisados pela Reuters.

Produtos produzidos pelas quatro empresas mais valiosas do mundo têm uma pequena quantidade de ouro na sua composição. Segundo documentos da Polícia Federal obtidos pela reportagem, o minério foi adquirido de um refinador italiano, que comprou ouro de uma empresa que o adquire ilegalmente na região da floresta amazônica.

Documentos obtidos pela reportagem confirmam que essas gigantes da tecnologia compraram, em 2020 e 2021, o metal de diversas refinadoras, entre elas a italiana Chimet, investigada pela Polícia Federal por ser destino do minério extraído de garimpos clandestinos da Terra Indígena Kayapó, e a brasileira Marsam, cuja fornecedora é acusada pelo Ministério Público Federal de provocar danos ambientais por conta da aquisição de ouro ilegal.

“Apesar de os órgãos investigadores brasileiros terem provas de que Chimet e Marsam compraram, de maneira indireta, ouro extraído ilegalmente de alguns desses territórios demarcados, as duas refinadoras são certificadas e consideradas “aptas” a vender nos Estados Unidos e na Europa – regiões que exigem maior transparência dos fornecedores de minérios, além de critérios mais rígidos no combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e ao abuso dos direitos humanos”, afirma a matéria.

O inquérito da Polícia Federal, a que a reportagem teve acesso, é baseado em relatórios de informações econômicas do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A análise de dados confidenciais constatou que a Chimet remeteu, entre setembro de 2015 e setembro de 2020, R$ 2,1 bilhões para a CHM do Brasil, empresa que, por sua vez, é considerada pelos policiais federais como uma das principais “destinatárias do ouro ilegal vindo de terras indígenas no sul do Pará”.

Em nota, o escritório de advocacia que defenda a CHM sustenta que: “nunca adquiriu ouro proveniente de terras indígenas”.  Diz ainda que a alegação não foi provada pela Polícia Federal e que: “não passou de mera suposição”.

Procurada pela equipe da Repórter Brasil, a Chimet disse que rompeu as relações comerciais com a CHM assim que soube da investigação da Polícia Federal, em 29 de outubro de 2021.

A reportagem informou ainda que a Apple disse, em nota, ter removido a Marsam da lista de fornecedores. A Chimet, no entanto, permanece apta. Google, Microsoft e Amazon disseram que não comentariam, mas não negaram terem comprado da Chimet e da Marsam.

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