O número de homicídios no Amazonas caiu 12,2% entre 2022 e 2023, segundo o Atlas da Violência, divulgado nesta segunda-feira (12/5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Apesar da redução, o estado ainda figura entre os que registram as maiores taxas de homicídios do país.
No comparativo entre os dois anos, o número total de homicídios registrados passou de 1.771 para 1.555. No contexto de violência contra jovens, o Amazonas teve redução de 16,7%, passando de 965 mortes para 804.
Embora os números despertem otimismo, o estado ainda esteve, em 2023, entre os cinco com maior taxa de homicídios registrados em todo país, ocupando a 4ª posição. No período de 10 anos (entre 2013 e 2023) também aponta que houve aumento de 11,5% em mortes no estado.
Taxa de homicídio por 100 mil habitantes – 2023
1º Amapá: 57,7
2º Bahia: 44,8
3º Pernambuco: 38,5
4º Amazonas: 37,3
5º Alagoas: 36,5
Mortes de mulheres negras aumentaram 32% em 10 anos
O Atlas também aponta que o Amazonas é um dos 13 estados que apresentou aumentos acentuados em homicídios de mulheres negras, de 32% por 100 mil habitantes no período de 2013 a 2023. O número vai na contramão da tendência nacional, que registrou queda de 20,4%.
“A desigualdade e o racismo estrutural, ordenadores da nossa sociedade, são a força motriz por trás desta conjuntura” explica o estudo sobre a violência.
Cenário nacional
O estudo também deu dimensão do cenário da violência ao nível nacional. Em 2023, 45.747 pessoas foram vítimas da violência no Brasil, uma média de 125 mortes por dia. O número também registra uma pequena redução em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas 46.409 mortes violentas.
No comparativo desde 2013, quando o número de mortes chegou a 57.396, houve redução de 20,3% na quantidade de homicídios. O ano com mais casos foi 2017, com 65.602 homicídios. O menor, 2019, registrou 45.503 mortes. Na comparação com o ano que registrou mais casos, a queda em 2023 é de aproximadamente 30%.
Motivos da queda
Tendo em vista a redução da violência letal no Brasil, o Atlas aponta que vários fatores são responsáveis por esta mudança como, a continuidade da transição demográfica rumo ao envelhecimento da população, o armistício na grande guerra do narcotráfico entre as duas maiores facções criminosas e o amadurecimento e aprimoramento das políticas de segurança pública em alguns estados e municípios.
Sobre o Atlas
Os dados do Atlas da Violência são coletados de fontes oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela contagem da população, e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
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