O ex-superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa) Thomaz Nogueira fez um alerta sobre os possíveis impactos econômicos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Em um vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais, o especialista afirma que propostas de redução de gastos públicos podem provocar recessão, enfraquecer o consumo e atingir diretamente o Polo Industrial de Manaus (PIM).

Com décadas de experiência na administração tributária, Nogueira é considerado uma das referências técnicas na defesa da Zona Franca. Foi superintendente da Suframa entre 2012 e 2014, ocupou cargos estratégicos na Secretaria de Fazenda do Amazonas e participou das discussões nacionais sobre a Reforma Tributária.

No vídeo, ele relembra os alertas que fez em 2018, quando Jair Bolsonaro disputava a Presidência da República e Paulo Guedes era apresentado como futuro ministro da Economia.

“Mas a gente já viveu essa situação. Em 2018, eu escrevi uma série de artigos sobre a eleição do Bolsonaro. O que o Paulo Guedes planejava, o que ele tinha dito, os sinais e tudo”, recorda.

Segundo Thomaz, as dificuldades enfrentadas pelo Amazonas durante o governo Bolsonaro confirmaram parte das preocupações que havia manifestado antes daquela eleição.

“Nós tivemos muita dor, enormes problemas. Por quê? Porque eles fizeram tudo o que tinham prometido. E nós, se não fosse a capacidade de articulação e resposta dos amazonenses, nós teríamos nos dado mal”, afirma.

O risco para os empregos do Polo Industrial

O ponto central do alerta de Thomaz Nogueira é a dependência da indústria amazonense em relação ao consumo nacional.

O Polo Industrial de Manaus concentra fabricantes de motocicletas, televisores, aparelhos de ar-condicionado, eletroeletrônicos e outros bens duráveis. São produtos cuja demanda pode cair quando as famílias enfrentam perda de renda, desemprego ou dificuldades de acesso ao crédito.

Na avaliação do ex-superintendente, uma política de forte contração dos gastos públicos pode agravar esse cenário.

“Isso é o que mais impacta aqui no Amazonas, porque nós produzimos bens duráveis, não essenciais, e quando tem uma crisezinha, um espirro, a gente paga muito forte por isso. É emprego que vai embora e demora para voltar”, adverte.

O especialista também menciona uma proposta de corte orçamentário de 1,5% que atribui à equipe econômica associada a Flávio Bolsonaro.

“Vocês sabem o que é isso em termos de economia? Vocês não têm ideia. São cortes brutais nas políticas sociais. É recessão”, afirma.

A avaliação de Thomaz é que a redução de despesas públicas, dependendo de sua dimensão e composição, pode diminuir a atividade econômica e afetar o mercado consumidor dos produtos fabricados em Manaus.

Um dos nomes da defesa da Zona Franca

O alerta ganha relevância pela trajetória profissional de quem o faz. Auditor fiscal de carreira, Thomaz Nogueira conhece os mecanismos tributários que sustentam a competitividade da indústria amazonense. Além de ter comandado a Suframa, participou de negociações no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e de debates sobre a preservação dos incentivos fiscais durante a Reforma Tributária.

Sua atuação técnica atravessou diferentes governos e momentos decisivos para o modelo econômico amazonense. Ao longo dessa trajetória, tornou-se um dos especialistas consultados em discussões sobre tributação, política industrial e desenvolvimento regional.

“Nós vamos repetir isso?”

Na parte final do vídeo, Thomaz transforma a análise econômica em um questionamento sobre as escolhas do eleitorado amazonense. “Nós vamos repetir isso? Nós vamos fazer essa mesma coisa?”, pergunta, referindo-se à experiência da eleição de 2018.

Em seguida, relaciona sua preocupação com o futuro da economia estadual às próximas gerações.

“Eu não consigo imaginar por que eu não escolheria o que é melhor para os meus netos e para todo mundo”, declara.

👁 6 visualizacoes

PUBLICIDADE