O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) denuncia que a Refinaria da Amazonia (Ream), pertencente ao grupo Atem, está realizando a demissão de pelo menos 75 trabalhadores nesta semana. A organização sindical expôs a situação nas redes sociais e na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta quarta-feira (14/05), alertando para os perigos que redução de equipes pode gerar na refinaria de petróleo, a única da região Norte do país.

“Mais de 75 trabalhadores estão sendo demitidos, pais e mães de família, profissionais qualificados estão sendo demitidos sem justificativa e negociação, gente que garante a segurança da planta, o abastecimento do estado e o funcionamento da indústria do refino no Amazonas. Enquanto isso, a empresa sucateia a estrutura, reduz equipes, corta a manutenção e aumenta os riscos de acidente na refinaria. Tudo isso sem transparência e responsabilidade social”, afirma o presidente da Sindipetro Marcus Ribeiro.

Ao Toda Hora, Marcus revelou que o último acidente registrado foi um incêndio de grandes proporções em 16 de abril deste ano.

Denúncia formalizada
O sindicato formalizou a denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Os trabalhadores solicitaram o apoio dos vereadores, afirmando que o futuro da indústria do petróleo está em jogo. De acordo Marcus Ribeiro, as demissões são o começo do projeto de desmonte da refinaria e tem o objetivo de suspender as atividades de refino e operar somente como terminal.

“A estrutura está sendo sucateada, aumento o número de falhas operacionais e acidentes. Há sinais claros de que a empresa quer abandonar a atividade de refino e transformar em um simples terminal. Isso é um ataque ao setor industrial, trabalhadores e soberania energética”, disse o sindicalista na CMM.

O sindicato critica a privatização da Ream e afirma que caso a Petrobras estivesse à frente, nada disso estaria acontecendo. “A Petrobras é uma empresa pública que, embora tenha seus desafios, atuam com responsabilidade e tem um compromisso com o Brasil. Quem está pagando é a população, já que temos uma das gasolinas e gás mais caros do país”, complementou.

A categoria pediu a recompra da refinaria pela Petrobrás na última vinda do presidente Lula (PT) a Manaus, em 2024. A unidade foi vendida no ano de 2022, no governo de Jair Bolsonaro.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da refinaria para solicitar rum posicionamento. Em caso de reposta, a matéria será atualizada.

Refino suspenso
A Ream suspendeu a atividade de refino do petróleo em abril de 2024. Na época, a administração alegou a manutenção das instalações e, desde então, a demanda é atendida por importação de combustíveis de outros estados e países vizinhos.

O refino também teve incentivos garantidos na reforma tributária. O projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024, que regulamenta uma parte da reforma tributária, foi sancionado em janeiro e preservou as vantagens fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM) no novo modelo tributário, incluindo o refino de petróleo entre as atividades incentivadas na região.

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