Após deflagração de operação, Braskem diz estar à disposição das autoridades

A empresa petroquímica Braskem, objeto da Operação Lágrimas de Sal desencadeada nesta quinta-feira (21) pela Polícia Federal para investigar o afundamento de bairros em Maceió, declarou, por meio de comunicado, que acompanha atentamente a operação da PF e está à disposição das autoridades, “como sempre” agiu. A Braskem assegurou que fornecerá todas as informações necessárias ao longo do processo em curso.

Na ocasião em que o caso foi revelado, a empresa afirmou que a extração de sal-gema em Maceió “sempre foi acompanhada utilizando a melhor técnica disponível, fiscalizada pelos órgãos públicos competentes e com todas as licenças necessárias para sua operação”.

A Braskem também declarou que não havia indícios de problemas relacionados à mineração até cinco anos atrás.

“Antes de 2018, não existiam indicativos de trincas ou rachaduras sobre as quais houvesse suspeita de relação com a atividade de extração de sal. De acordo com os estudos técnicos realizados nos últimos quatro anos, conduzidos por diversos especialistas nacionais e internacionais das diferentes áreas das Geociências, foi evidenciado que a subsidência é complexa”, disse a Braskem, em nota. “Ao tomar ciência em 2019 de que a subsidência estava acontecendo na região, a companhia interrompeu definitivamente a extração de sal-gema nessa região e iniciou as ações para mitigação de riscos e reparações.”

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (21) a Operação intitulada Lágrimas de Sal para abastecer o inquérito sobre a exploração de sal-gema, em Maceió, que causou a instabilidade do solo e o afundamento de bairros da capital alagoana. Agentes cumprem 14 ordens de busca e apreensão em Maceió (11), no Rio de Janeiro (2) e Aracaju (1). A sede da Braskem em Alagoas é um dos alvos das diligências.

O nome da ofensiva, Lágrimas de Sal, segundo a PF, faz referência ao “sofrimento causado à população”, em razão de a exploração de sal-gema ter obrigado as pessoas a deixarem suas casas devido ao risco de desabamento nos bairros afetados.

Foram apurados indícios de que as atividades de mineração desenvolvidas no local pela Braskem “não seguiram os parâmetros de segurança previstos na literatura científica e nos respectivos planos de lavra, que visavam garantir a estabilidade das minas e a segurança da população que residia na superfície”, informa a PF.

A corporação ainda encontrou indícios de que foram apresentados dados falsos e omitidas informações relevantes aos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização da atividade da empresa, “permitindo assim a continuidade dos trabalhos, mesmo quando já presentes problemas de estabilidade das cavidades de sal e sinais de subsidência do solo acima das minas”.

A ofensiva mira supostos crimes de poluição qualificada, usurpação de recursos da União e apresentação de estudos ambientais falsos ou enganosos.

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