Instalada na maior floresta tropical do mundo, a Zona Franca de Manaus (ZFM) vive um momento de revisão de rumos. O modelo que, por décadas, sustenta a economia amazonense agora busca se alinhar às práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, conhecidas pela sigla ESG.
Nos últimos meses, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) tem dado passos nesse sentido. Um deles é a Iniciativa “ZFM + ESG”, criada pela Portaria nº 1.860/2025, para incentivar as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) a adotarem ações voltadas à sustentabilidade, à transparência e à responsabilidade social.
O programa é voluntário e educativo. Não cria obrigações legais nem prevê sanções. As empresas participantes recebem um certificado de adesão, reconhecendo seu compromisso sem caracterizar uma certificação formal.
“Estamos avançando de forma consciente em direção à sustentabilidade. O primeiro passo é de conscientização e educação, e isso tem sido feito. Hoje, 35 empresas já aderiram à Iniciativa e nossa meta é ampliar esse número”, destacou o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, em entrevista ao Toda Hora.
Entre as participantes estão: a Fundação Paulo Feitoza (FPF Tech), Coca-Cola, Sidis, LG, BIC, Fuji Film e a Bemol. Todas deverão apresentar relatórios de implementação em 2026.
Segundo Saraiva, a ação marca um novo ciclo de atuação da Suframa. “A nossa gestão foi a primeira a tratar de práticas ESG dentro da Suframa. Desde 2023 realizamos eventos como o Fórum ESG Amazônia, em parceria com o CIEAM e a Fundação Rede Amazônica. Temos avançado, embora ainda haja muito a percorrer.”
Legislação deve fortalecer modelo sustentável
Além da iniciativa da Suframa, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou o Projeto de Lei nº 206/2025, que cria o Programa de Incentivo à Indústria Sustentável da Zona Franca de Manaus (PIIS-ZFM). A proposta, de autoria do deputado George Lins (União Brasil), aguarda sanção do governador Wilson Lima.
O PL estimula o uso de tecnologias limpas, energias renováveis, logística reversa e economia circular, além de promover parcerias com universidades e centros de pesquisa.
“O programa busca fomentar inovação, eficiência energética e responsabilidade ambiental, garantindo que a atividade industrial da região esteja alinhada aos desafios globais de sustentabilidade”, afirmou o parlamentar.
Bioeconomia
No mesmo caminho, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) tem se consolidado como motor da bioeconomia regional. O centro desenvolve soluções tecnológicas para aproveitar o potencial da biodiversidade amazônica de forma sustentável.
Entre os projetos em andamento estão a fibra de curauá, apontada como alternativa renovável para a indústria de plásticos, e o estudo clínico sobre bebidas clarificadas de bacaba e açaí no controle da aterosclerose e obesidade, orçado em R$ 4,7 milhões.
O protótipo da fibra de Curauá foi apresentado ao diretor de operações do Banco Mundial, Axel van Trotsenburg, no início de novembro.
Conforme a assessoria do Centro, todos os projetos e pesquisas têm como matéria-prima os insumos da floresta. O CBA tem várias parcerias. Hoje somam mais de 30 instituições parceiras, que se somam ao CBA após o edital e apresentação do plano de negócio. Com isso, o centro consegue incentivar as pesquisas e desenvolver produtos sustentáveis.
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